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05 setembro 2025 12h15

Trump prometeu queda, mas eletricidade sobe nos EUA

Trump prometeu queda, mas eletricidade sobe nos EUA

Donald Trump regressou ao poder em janeiro de 2025 com a promessa de reduzir para metade o preço da eletricidade no prazo de doze meses, mas a realidade tem sido bastante diferente. Desde dezembro do ano passado, o preço médio da eletricidade nos EUA subiu de cerca de 17,5 cêntimos por kWh para perto de 19 cêntimos de dólar, uma alta à volta de 8%. Esta evolução contrasta com a ligeira descida do preço do petróleo e mostra que a eletricidade segue hoje dinâmicas próprias, ditadas não apenas pelo custo dos combustíveis fósseis, mas também por outros fatores estruturais, como a crescente procura associada a data centers e inteligência artificial (IA), e os elevados custos de modernização da rede elétrica norte-americana. Apesar disso, Trump mantém como bandeira política o "drill, baby, drill”, promovendo mais exploração de petróleo e gás.

Paralelamente, aposta na simplificação do licenciamento de novos reatores nucleares, uma tecnologia sem emissões de carbono durante a produção de eletricidade, mas cujo impacto na descida dos preços só se fará sentir no médio e longo prazo. Trump defende que estas medidas poderão travar a subida dos preços da energia.

No entanto, as projeções oficiais confirmam que a tendência de subida poder-se-á manter. De acordo com o Short-Term Energy Outlook da Energy Information Administration (EIA), publicado em janeiro de 2025, os preços residenciais da eletricidade deverão aumentar cerca de 2% este ano, enquanto os preços grossistas podem subir até 7%. A curto prazo, a pressão sobre os consumidores deverá continuar, contrariando as expetativas criadas pela administração Trump.

A forte procura, impulsionada por setores emergentes — sobretudo a inteligência artificial, os data centers e a expansão dos veículos elétricos, que consomem grandes quantidades de energia — é um dos fatores que explica a alta dos preços da eletricidade. O segundo fator é a necessidade urgente de modernizar infraestruturas envelhecidas. As empresas de energia elétrica têm alertado para a repercussão, nos preços finais da eletricidade, dos custos desses investimentos. Por fim, a nova lei orçamental aprovada em julho de 2025, a One Big Beautiful Bill Act, reduziu de forma significativa os incentivos fiscais à produção de eletricidade a partir de fontes renováveis. Ao limitar a expansão da capacidade solar e eólica, esta medida compromete a diversificação da oferta e reforça a dependência de menos fontes energéticas (mix limitado).

A subida dos preços da eletricidade alimenta pressões inflacionistas, encarecendo tanto o consumo das famílias como os custos de produção das empresas. Trava o crescimento, reduzindo o rendimento disponível e a competitividade industrial. As famílias são forçadas a cortar noutras despesas para acomodar a fatura elétrica. As indústrias mais intensivas em consumo de energia, como o aço, o alumínio ou os semicondutores, perdem competitividade. O sucessivo aumento do custo da eletricidade pode ainda afastar investimento estrangeiro e incentivar a deslocalização de empresas, com consequências negativas para o crescimento económico e o emprego. Trata-se de uma combinação que pode potenciar cenários de estagflação, em que a economia cresce pouco, mas os preços continuam a subir. Este risco representa um desafio acrescido para a Fed, podendo manter taxas de juro elevadas durante mais tempo. Assim, apesar das promessas políticas, os preços da eletricidade nos EUA continuam a subir acima da inflação. O forte aumento da procura e as limitações da rede são hoje as principais causas desta tendência.

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