Unit-linked e seguros de vida: como a eficiência fiscal está a moldar o negócio de private banking
Na terceira edição do Think Tank BNY Investments, a eficiência fiscal surgiu como um dos temas atualmente mais relevantes. Apesar deste recente protagonismo, este tema já não é "uma novidade” para Pedro Lobo. O diretor de Banca Privada do Bankinter Portugal considera que a oferta já está muito estruturada globalmente para ser, do ponto de vista fiscal, eficiente. "Trata-se tipicamente de um mercado interno, com dois principais veículos: os seguros de capitalização e a gestão discricionária”, explica, acrescentando que o Bankinter disponibiliza uma gama completa de seguros, inclusive para gestão discricionária, além de carteiras tailor made. De facto, embora a eficiência fiscal sempre tenha sido um tema central no private banking, tem ganho cada vez mais relevância para os clientes, especialmente porque, "mais recentemente, os seguros de vida permitem a subscrição de fundos alternativos. Nestes, a expetativa de ganhos é, nalguns casos, de dois dígitos”, como destaca Bruno Minoya Perez, diretor de Banca Privada do Banco Carregosa.
Adicionalmente, Pedro Lobo considera que existem dois aspetos verdadeiramente críticos neste tema que considera estarem já plenamente interiorizados. O primeiro prende-se com a simplificação da declaração fiscal. "Mais do que o nível de tributação em si, o que se valoriza é a existência de um sistema que não constitua um problema no momento de preencher o IRS”, explica. O segundo aspeto relaciona-se com a estabilidade fiscal. "A questão da estabilidade é fundamental. Independentemente de o sistema poder não ser o mais atrativo, o essencial é existir confiança de que as coisas se mantêm constantes ao longo do tempo”, afirma.
Já António Luna Vaz, explica que "a euforia com Portugal a que temos assistido, embora seja influenciada por fatores como a estabilidade política, a segurança e o clima, teve a fiscalidade como um dos principais motores”, dando como exemplo os Golden Visa. "Isto traz dificuldades acrescidas na tentativa de gestão e de atratividade dos nossos serviços para clientes estrangeiros”, acrescenta o diretor-executivo do Private e Wealth do BPI.
Unit-linked, PPR e seguros de vida: os três formatos em destaque
Neste âmbito, António Luna Vaz destaca os unit-linked, considerando-os uma "solução excelente” e com uma fiscalidade "realmente vantajosa”: "Todos nós aproveitamos ao máximo os detalhes dessa estrutura. Reforçámos a aposta num produto composto por vários seguros de vida representativos de várias classes de ativos, que permitem a troca entre eles”. Segundo o profissional, isto alinha-se com a tendência de maior envolvimento dos clientes, que, devido à crescente literacia financeira, querem participar mais ativamente no processo de decisão, sem delegar tudo completamente. Por sua vez, Pedro Lobo destaca os PPR: "Os PPR têm ganhado destaque por serem, em termos de eficiência fiscal, mais vantajosos, e por causa da sua estabilidade fiscal”. Na sua opinião, este último ponto é muito valorizado e, embora não dependa diretamente da indústria, "atuar num ambiente fiscal estável tem trazido muitas vantagens”, afirma.
No Banco Carregosa, conta Bruno Minoya Perez, os seguros de vida individualizados são uma solução que utilizam desde 2012. Além disso, nos últimos dois anos, optaram por transformar a maioria da oferta ao segmento em soluções unit-linked perfiladas. A taxa de conversão das estratégias anteriores para unit-linked foi muito elevada, com mais de 90% dos clientes a adaptar as suas estratégias de investimento. "Tanto os unit-linked como os seguros de vida individualizados são agora soluções amplamente adotadas, pelas suas diversas vantagens, quer ao nível fiscal, quer ao nível da flexibilidade da gestão e aconselhamento”, afirma.
O conjunto único de fatores de um cliente também entra em jogo
Para Ana Nobre, diretora de Banca Privada do ABANCA, no âmbito da eficiência fiscal há dois parâmetros fundamentais a considerar: "O primeiro é o resultado líquido e o segundo é garantir uma solução eficiente para a transmissão de património”, colocando o resultado líquido no centro, com três pilares: "Gestão corrente para liquidez e execução; seguros de vida para horizonte longo e sucessão, beneficiando do diferimento; e fundos perfilados para disciplina e estabilidade, ajustando a alocação dentro do fundo para evitar choques fiscais desnecessários”. A partir daí, Ana Nobre considera ser essencial olhar para cada carteira, integrando todas as soluções disponíveis dentro daquilo que se designa banca/seguros de vida, quer seja unit-linked, PPR, ou seguros de capitalização.
"A eficiência está em termos de diferimento de tributação”, explica, acrescentando que o mais importante é que, ao analisar a carteira de um cliente, se entenda o seu contexto completo. "Cada cliente tem um conjunto único de fatores: ascendentes, descendentes, fontes de rendimento, e, possivelmente, uma parte empresarial. É crucial fazer uma leitura cuidadosa para entender a origem e a composição do rendimento daquele investidor e, assim, oferecer-lhe a solução mais adequada”.
Reiterando a importância de o cliente não ter de se preocupar com questões fiscais, Bruno Minoya Perez destaca igualmente o tema da sucessão. Na sua opinião, estas estruturas revelam-se "extremamente simples” no contexto da transmissão de património entre gerações. "No momento da constituição dos seguros, é possível identificar de forma direta os beneficiários em caso de vida e em caso de morte, sejam eles herdeiros legais ou não”, explica. Desta forma, quando consideramos também a eficiência fiscal, que assume um papel determinante, "os seguros de vida destacam-se como instrumentos que, pela sua estrutura e simplicidade, oferecem uma solução altamente vantajosa para a transferência de património para as gerações seguintes”, revela.