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22 agosto 2026
16h02
Fonte:
Jornal de Negócios
Tribunal federal dos EUA anula suspensão de vistos imposta por Trump a 75 países
Um tribunal federal norte-americano anulou a suspensão
dos vistos de imigrantes de 75 países, considerando que o secretário de Estado,
Marco Rubio, excedeu a sua autoridade legal ao tomar esta medida no início de
2026.A decisão foi tomada na sexta-feira pela juíza Jeannette
Vargas, do Tribunal Distrital do Estados Unidos da América (EUA) para o
Distrito Sul de Nova Iorque.Numa sentença de 61 páginas, a magistrada argumenta que a
proibição decidida pela administração de Donald Trump é "manifestamente ilegal"
e questiona a justificação do Governo de que os requerentes oriundos dos países
em causa representavam um elevado risco de se tornarem um "ónus económico" para
os Estados Unidos.A decisão do tribunal pode resultar na revisão de
milhares de pedidos já processados.A juíza nota que as autoridades norte-americanas
receberam ordens para negar vistos mesmo a imigrantes elegíveis, considerados
provavelmente autossuficientes, em violação de uma norma que exige avaliações
individualizadas de cada caso.Os países afetados pela diretiva da administração Trump
incluem várias nações da América Latina e das Caraíbas, como o Brasil,
Colômbia, Cuba, Guatemala, Haiti, Nicarágua e Uruguai.O congelamento da emissão de vistos foi implementado em
janeiro deste ano e também abrangia o Afeganistão, Egito, Iraque, Irão,
Marrocos, Nigéria, Rússia, Somália, Tailândia e Iémen.Entre os autores da ação judicial estão cinco
trabalhadores da Colômbia a quem foram negados os vistos com base nas novas
regras, bem como por seis norte-americanos que alegam que a proibição
prejudicou os seus familiares no Gana, Jamaica, Guatemala e Etiópia, segundo
noticiou o jornal The New York Times."Esta decisão representa uma vitória significativa para
as centenas de milhares de famílias em todo o país e em todo o mundo cujas
vidas foram mergulhadas no caos pela proibição de vistos ilegal e
discriminatória desta administração", reagiu Joanna Cuevas Ingram, advogada
sénior do National Immigration Law Center, em comunicado.De acordo com Cuevas Ingram, o tribunal "deixou claro que
as leis de imigração não podem ser utilizadas para justificar a discriminação".Skye Perryman, presidente e CEO da organização não
governamental Democracy Forward defendeu que a decisão representa uma "rejeição
retumbante de uma política ilegal e discriminatória que causou enormes danos a
famílias e comunidades de todo o país"."A administração Trump-Vance não pode instrumentalizar a
lei da imigração para criar listas negras de países inteiros, separar famílias
e negar direitos garantidos pela Constituição impunemente", disse.