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19 outubro 2026
19h17
Fonte:
Jornal de Negócios
França decreta recolher obrigatório noturno em zonas de Paris e de quatro cidades do norte
O Governo francês
anunciou esta segunda-feira o recolher obrigatório noturno em alguns bairros de
Paris e em zonas de quatro cidades do norte de França - Lille, Douai,
Wattignies e Denain -, após pilhagens e violência durante protestos no fim de
semana.A medida concretiza o
anúncio feito hoje pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, sobre a imposição
de recolheres obrigatórios parciais em determinadas zonas do país, para travar
a onda de violência desencadeada durante o fim de semana em protestos contra o
aumento do custo de vida e a degradação dos setores da educação e da saúde,
após quase 10 anos de mandato do Presidente, Emmanuel Macron.Em Paris, foi instaurado
o recolher obrigatório entre as 23:00 de hoje e as 06:00 de terça-feira
(22:00-05:00 de Lisboa), após as pilhagens que destruíram no sábado e no
domingo várias áreas da cidade.O recolher obrigatório
proíbe "estritamente qualquer presença" nas zonas "da praça da República e do
setor de Les Halles", no centro da capital.A delegação do Governo
central no departamento do Norte precisou que o recolher obrigatório vigorará
em zonas concretas das quatro cidades referidas, com o acordo dos respetivos
presidentes de Câmara.Espera-se que o executivo
divulgue ainda hoje o mapa de todos os municípios abrangidos.O recolher obrigatório
parcial tem como objetivo proteger os estabelecimentos comerciais, na sequência
de pilhagens ocorridas em cerca de 3.000 e os episódios de grande violência
registados em muitas cidades francesas durante a jornada de protestos de sábado
e que continuaram, em algumas delas, também no domingo, especialmente na
capital francesa, Paris.Trata-se de uma medida
temporária, sublinhou Lecornu, e antecede uma eventual declaração de estado de
emergência, que confere poderes alargados às forças de segurança."É um recolher
obrigatório localizado, parcial; creio que, neste momento, é um instrumento
mais adequado do que decretar o estado de emergência", declarou o
primeiro-ministro francês, sublinhando, contudo, que não foi excluída tal
possibilidade.Até às 08:00 desta manhã
(07:00 de Lisboa), 2.331 pessoas permaneciam sob custódia policial devido aos
distúrbios e pilhagens, segundo o Ministério da Justiça, que indicou que 70%
eram maiores de idade e que o Ministério Público requereu a prisão preventiva
em mais de 80% dos casos.Os distúrbios de sábado
incluíram pilhagens de estabelecimentos comerciais, ataques a edifícios
públicos e confrontos com as forças de segurança em Paris e noutras cidades
francesas.O ministro do Comércio,
Serge Papin, anunciou que serão aplicadas ao setor comercial, a partir de
terça-feira, medidas de redução do horário de trabalho (equivalentes a um
regime de desemprego parcial), além da criação de um "fundo de apoio
específico".Hoje, o Governo convocou
também representantes de várias plataformas 'online' para exigir a remoção dos
anúncios de revenda de produtos provenientes de lojas saqueadas.Estarão presentes
plataformas como Vinted, Amazon, eBay, Leboncoin, Meta e TikTok, bem como a
Aliança Francesa de Marketplaces e a Federação de E-commerce e Venda à
Distância (Fevad).Estão previstas novas
manifestações: o movimento dos "coletes amarelos" anunciou um "Ato II" para o
próximo sábado, 24 de outubro, seguido de novas mobilizações a 31 de outubro e
05 de novembro.