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20 junho 2026 15h30

José Luís Carneiro considera "ridículas" insinuações sobre coligação com o Chega

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, classificou hoje como "ridículas" as alegadas insinuações do PSD sobre uma coligação entre socialistas e o Chega, acusando a direita de esconder um acordo para cortar pensões.À margem da Rota pela Economia do Mar na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, o líder do PS reagiu às declarações de Luís Montenegro sobre o chumbo da revisão laboral, na sexta-feira, invertendo a acusação para um "jogo de máscaras" entre a AD e o partido de André Ventura."Todos entendem que isso é ridículo. Então alguém que andou dias e dias a encontrar-se, a reunir, a dialogar, a negociar, num autêntico jogo de máscaras, agora sentiu-se desfeiteado por parte desse partido e vem dizer que é o PS que está coligado com o Chega? O PS nunca teve qualquer coligação, pelo contrário. Temos é liderado muitas propostas, e há aqueles que votam essas propostas", retorquiu.Para José Luís Carneiro, o país assistiu, na verdade, a uma tentativa de entendimento formal à direita que acabou por falhar no momento da votação parlamentar da revisão laboral, que foi sexta-feira 'chumbada'."Todos nós assistimos a um processo de namoro, que quase que foi casamento, entre a AD e o Chega nesta matéria. Aliás, basta recuperar as declarações que foram feitas no debate na Assembleia da República, em que davam como consumado o acordo entre todos", sublinhou.O líder socialista subiu o tom e trouxe ao debate os detalhes do que, alegadamente, foi negociado nas costas dos portugueses, apontando para um impacto severo no sistema de reformas até ao final da legislatura."As coisas são de tal maneira graves que André Ventura veio mesmo publicamente dizer que tinha chegado a um acordo com o primeiro-ministro para alterar a idade da reforma e também em relação à CES (Contribuição Extraordinária sobre a Solidariedade), e que iria passar a escrito esse acordo. E esse acordo teria implicações até ao fim de 2028", afirmou.Segundo o secretário-geral do PS, os moldes desse eventual entendimento orçamental implicariam medidas de forte austeridade ou cortes diretos nos rendimentos dos cidadãos."O que aparentemente terá sido objeto de negociação entre Luís Montenegro e André Ventura levaria a um corte nas pensões. Esse acordo, que terá sido objeto, pelo menos, de diálogo ou de concertação, significava cortar 12% nas pensões que estão a pagamento aos pensionistas. Significava, para o futuro, colocar em causa as pensões dos mais jovens", denunciou.José Luís Carneiro concluiu exigindo explicações públicas aos dois líderes partidários sobre o custo financeiro do processo."Essa medida significava um custo anual de 4,5 mil milhões de euros, que só se poderia fazer com várias opções. Uma era cortar nas pensões 12%, a outra seria aumentar os impostos, e aumentar os descontos para a Segurança Social, quer dos trabalhadores, quer das empresas. Só os protagonistas podem explicar o que é que andaram a negociar para terem chegado a este triste espetáculo", rematou.

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