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03 agosto 2026
23h15
Fonte:
Jornal de Negócios
Marrocos diz ter alertado Espanha sobre decisão do Supremo espanhol
O Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquino assegurou esta segunda-feira que alertou
Espanha, dias antes da crise migratória na cidade de Ceuta, de que uma recente
decisão do Tribunal Supremo espanhol enfraquecia um elemento crucial na
cooperação bilateral.Fonte do ministério
marroquino sublinhou à EFE que a gestão migratória é "uma responsabilidade
partilhada"."Marrocos assume as
suas responsabilidades (...). É um compromisso, não um discurso político ou
propaganda. (...) Marrocos não age sob pressões, nem chantagem, nem como
contrapartida", afirmou a fonte num encontro com um grupo de agências de
notícias internacionais.A fonte marroquina
referia-se à recente sentença do Tribunal Supremo espanhol que indica que não
se pode aplicar a "recusa na fronteira" ou a "devolução
rápida" a migrantes intercetados no mar quando estes tentam entrar a nado
em Ceuta e Melilla.A mesma fonte sublinhou
que a coordenação com Madrid continua a ser estreita, acrescentando que o
governo de Marrocos está "dececionado" com as reações de alguns
políticos espanhóis, que acusou de instrumentalizar a crise por interesses
eleitorais.A cidade autónoma
espanhola de Ceuta, situada no norte de África, registou desde quinta-feira uma
entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais
estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das cerca de 50.000 entradas
contabilizadas pelo Governo de Madrid.A maioria dos migrantes
regressou, entretanto, voluntariamente a Marrocos, segundo o Ministério da
Administração Interna espanhol.As forças de segurança de
Espanha estimam que cerca de 73.500 pessoas que estavam ilegalmente em Ceuta
deixaram a cidade desde quinta-feira, número que pode incluir as que entraram
na multidão que afluiu à fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol entre
quinta e sexta-feira, e outras que já estavam desde dias anteriores em Ceuta,
cidade onde vivem pouco mais de 83.000 pessoas.Pelo menos 71 pessoas
morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o mais
recente balanço das autoridades.Ceuta, um pequeno
território situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de
Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa,
juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.