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06 agosto 2026
23h56
Fonte:
Jornal de Negócios
Presidente do parlamento iraniano critica "teatro" dos EUA nas negociações
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, criticou esta quinta-feira o "teatro" dos Estados Unidos nas negociações de paz no Médio
Oriente, enquadrando-as numa "estratégia falhada" de assédio, "promessas
incumpridas" e "notícias falsas"."'Vem aí um ataque
em grande escala... Espera, não importa, querem negociar'. Isto é diplomacia
teatral em contínuo", escreveu Qalibaf nas redes sociais, evocando as
reiteradas declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem
interrompido anunciados ataques ao Irão sob pretexto de que a República
Islâmica solicita negociações."Reconheçam os
factos e cumpram os vossos compromissos. Não precisamos de mais teatro",
afirmou o principal negociador do Irão, assegurando que "usar a
intimidação, as promessas incumpridas e as notícias falsas como moeda de troca
é uma estratégia falhada".Donald Trump afirmou hoje
nas redes sociais que no "Irão, um país que tem sido devastado com o
objetivo de nunca se permitir que disponha de uma arma nuclear, as coisas estão
a correr muito bem!".EUA e Irão estão em
guerra desde 28 de fevereiro, na sequência de uma ofensiva conjunta
israelo-norte-americana, a que Teerão respondeu com ataques na região e
anunciando o bloqueio do estreito de Ormuz.Os Estados Unidos e a
República Islâmica assinaram em 17 de junho um memorando de entendimento que
previa um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias com
vista a um acordo de paz definitivo.As partes voltaram,
porém, à confrontação militar, com Teerão a repor o anúncio de restrições no
estreito de Ormuz, por onde antes da guerra passava 20% do comércio petrolífero
global, e Washington a aplicar novamente um bloqueio naval aos portos iranianos.Trump ordenou,
entretanto, uma suspensão dos ataques aéreos, alegando que agiu a pedido dos
países mediadores e da própria República Islâmica, que desmente a existência de
conversações com Washington e diz estar a negociar apenas com Omã sobre o
trânsito no estreito de Ormuz.