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22 outubro 2026
21h57
Fonte:
Jornal de Negócios
Rússia está pronta para negociar acordo final sobre Ucrânia e não trégua "curta", diz Putin
A Rússia está pronta para retomar
negociações tripartidas com Ucrânia e Estados Unidos, mas para alcançar um
acordo de paz definitivo, e não um cessar-fogo "curto", declarou esta quinta-feira o Presidente Vladimir Putin, que reiterou a exigência de território ucraniano."O objetivo destas discussões será tratar a questão das garantias de
segurança, tanto para a Ucrânia como para a Rússia (...) no âmbito de um acordo
final, e não após uma espécie de breve pausa nos combates", disse Putin a
um jornalista da televisão estatal.As futuras conversações, após o conflito armado, deverão incluir também um
debate sobre a "arquitetura de segurança europeia", adiantou Putin,
que se reuniu com o emissário da Casa Branca, Steve Witkoff, quarta-feira em
São Petersburgo.Segundo Putin, Witkoff "destacou que, se forem abordadas questões
relacionadas com a segurança futura tanto da Ucrânia como da Rússia, então,
naturalmente, será também necessário falar sobre a arquitetura de segurança
europeia"."De um modo geral, concordo com isso", assegurou Putin.O Presidente russo rejeitou categoricamente a última proposta apresentada
pelo seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, para "congelar" a
atual linha da frente no leste do país - o Donbass, que compreende as regiões
de Donetsk e Lugansk - em troca do início de negociações diretas.Putin refutou ainda a visão de Zelensky sobre a integridade territorial da
Ucrânia, argumentando que toda a região oriental é "território
russo", invocando referendos sobre a independência realizados nas partes
das duas províncias ucranianas sob ocupação russa.Os referendos não foram reconhecidos internacionalmente como legítimos, à
exceção de alguns aliados de Moscovo. Depois dos não reconhecidos referendos,
as duas províncias foram incorporadas na Federação Russa."A minha posição a este respeito é que este não é território deles;
historicamente, é território russo", afirmou Putin, rejeitando tratarem-se
de "perdas territoriais" da Ucrânia.Putin insistiu ainda que qualquer ideia de uma vitória militar contra a
Rússia é uma ilusão, e que Zelensky e os seus aliados devem abandonar esta
estratégia, apesar de as forças russas não fazerem avanços significativos no
terreno há vários anos e o conflito se aproximar do 5.º aniversário.Putin desvalorizou ainda como "esquizofrenia política" a ideia de
uma "ameaça russa" entre os países europeus, que têm vindo a lidar
com crescente número de ataques híbridos atribuídos a Moscovo, incluindo contra
infraestruturas críticas como aeroportos.Zelensky, defendeu hoje que o país não pode abdicar das cidades de
Sloviansk e Kramatorsk, em Donetsk, porque se o fizesse, abriria caminho à
Rússia chegar à província de Dnipro."Podem apoderar-se de muitas das nossas cidades. O risco é real",
advertiu."Se lhes entregarmos as nossas cidades, o risco é enorme (.). Ninguém
nos garante nada (.). Se retirarmos, onde estão as garantias de
segurança?", perguntou Zelensky, numa entrevista concedida ao 'podcast'
britânico "The Diary of a CEO".O chefe de Estado ucraniano salientou também "quão injusto" seria
entregar essas duas zonas de Donetsk, que são os últimos bastiões que restam à
Ucrânia, não só nessa província, mas em toda a região oriental do Donbass, onde
Lugansk já está sob controlo russo desde julho de 2022, apenas meses depois do
início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro do mesmo ano.Atualmente, a Rússia controla entre 75% e 85% de Donetsk, mas não as
cidades de Kramatorsk e Sloviansk - zonas de grande importância simbólica e
estratégica, que albergam um extenso polo industrial, do qual depende a
economia local, e uma rede ferroviária e rodoviária vital para a ligação às
províncias de Kharkiv e Dnipro.Se esses bastiões caíssem, a defesa ucraniana no resto do Donbass acabaria
por colapsar.Putin reafirmou há dias que o objetivo prioritário é "libertar"
Donetsk do que resta do "regime de Kiev".Zelensky estimou que a Rússia controla entre 18% e 19% do território
ucraniano e alertou que Putin também tem como alvo cidades como Zaporijia e
Mykolaiv, "embora não o diga diretamente".O líder ucraniano voltou também a sublinhar que a Ucrânia já está a fazer
"uma grande cedência" à Rússia só ao "manter a situação
atual" e na quarta-feira, numa entrevista ao canal televisivo
norte-americano Fox News, manifestou inclusive disponibilidade para
"congelar" a atual linha da frente, caso isso permitisse avançar para
um plano de paz.A linha da frente estende-se por cerca de 1.000 quilómetros, e as forças
russas controlam aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a
península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e as zonas do Donbass.