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03 agosto 2026
23h28
Fonte:
Jornal de Negócios
Tarifas de Trump contestadas na justiça por 25 estados democratas
A nova vaga de tarifas alfandegárias de Donald Trump motivou uma
queixa junto do tribunal federal de comércio internacional (CIT), anunciaram
hoje 25 estados norte-americanos, incluindo Califórnia, Nova Iorque e Havai.As novas sobretaxas - de
10% ou 12,5%, dependendo dos países - entraram em vigor a 24 de julho, sendo
justificadas pelo executivo Trump, após uma investigação, com a incapacidade de
cerca de 60 países e da União Europeia (UE) em eliminar das suas cadeias de
abastecimento produtos associados a trabalhos forçados.Estas tarifas substituem
as que foram impostas temporariamente em fevereiro, após o Supremo Tribunal
norte-americano ter anulado a maioria das sobretaxas decretadas desde o
regresso de Donald Trump à Casa Branca.Para as justificar, o
representante da Casa Branca para o Comércio (USTR), Jamieson Greer,
responsável pela investigação, baseou-se num artigo de uma lei federal de 1974,
já utilizada no passado.Os tribunais já
autorizaram algumas tarifas aduaneiras com base nessa mesma lei, mas os 25
Estados queixosos consideram que a investigação conduzida por Washington não
passou de um pretexto para repor as tarifas aduaneiras canceladas em fevereiro.Na queixa, consultada
pela agência de notícias francesa AFP, os queixosos apontam especialmente a
ausência de um mecanismo para que as tarifas aduaneiras sejam retiradas se os
países sancionados puserem fim às práticas identificadas pela investigação.Com base na própria
comunicação de Greer, consideram ainda que, quando foi anunciado o procedimento
para restabelecer as tarifas aduaneiras, "não houve qualquer referência ao
trabalho forçado". "Pelo contrário, a USTR afirmou que a investigação
seria conduzida para 'assegurar a continuidade' com as tarifas aduaneiras
implementadas pelo governo", posteriormente canceladas, aponta a queixa."Em vez de tomar
medidas que poderiam realmente combater o trabalho forçado, o USTR chegou a uma
conclusão inevitável para impor tarifas aduaneiras próximas daquelas que os
tribunais tinham anulado por duas vezes", denunciou em comunicado a procuradora-geral
do Estado do Delaware, Kathy Jennings, que faz parte dos queixosos.Donald Trump tornou as
tarifas aduaneiras a pedra angular da sua política económica, vendo nelas um
instrumento para incentivar as empresas a relocalizarem-se, proteger certos
setores-chave da indústria do país e financiar cortes de impostos.As suas sobretaxas tinham
sido rejeitadas pelo CIT, decisão confirmada em fevereiro pelo Supremo
Tribunal.