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Agosto 2026

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Bolsas em Alta mas o Foco Desloca-se para as Taxas

 

Agosto terminou com um balanço globalmente positivo para os mercados acionistas, mas também com uma alteração importante no enquadramento macroeconómico. A resiliência da atividade e dos resultados empresariais continuou a suportar os ativos de risco, enquanto o entusiasmo face à temática da inteligência artificial se alargou a segmentos como o "software". Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou cerca de 2,6%, o Nasdaq 3,9% e o Dow Jones 1,3%, enquanto, na Europa, o STOXX 600 registou uma valorização mais modesta, de 0,3%, completando ainda assim o quinto mês consecutivo de ganhos. O principal contrapeso surgiu das taxas de juro: a combinação entre inflação persistente, petróleo elevado e maior preocupação com as contas públicas voltou a pressionar as "yields" soberanas.


Nos Estados Unidos, os dados continuaram a apontar para uma economia resistente. O mercado laboral manteve-se relativamente equilibrado e a atividade industrial permaneceu em expansão, embora o ISM Manufacturing tenha recuado de 55,6 para 54,6 pontos em agosto. O relatório de emprego reforçou a resiliência da economia norte-americana. Em agosto, foram criados 162 mil empregos, quase o triplo do esperado, enquanto a taxa de desemprego se manteve em 4,1% e os dados dos dois meses anteriores foram revistos em alta. Os salários cresceram 3,1% em termos homólogos, sugerindo um mercado laboral sólido, mas sem uma aceleração das pressões salariais. Ao mesmo tempo, as pressões sobre os preços mantiveram-se significativas, refletindo o aumento dos custos das matérias-primas provocado pelas perturbações associadas ao conflito no Médio Oriente. Neste contexto, o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole constituiu um dos acontecimentos mais importantes do mês. O presidente da Reserva Federal reforçou o compromisso com a meta de inflação de 2% e admitiu implicitamente que poderá ser necessário voltar a subir as taxas caso não exista evidência convincente de desinflação. A inflação PCE situava-se em 3,7% em julho, contribuindo para que a probabilidade implícita de uma subida de 25 pontos base em setembro aumentasse significativamente no final do mês.


Na Zona Euro, o cenário revelou igualmente maior resistência económica, mas também novos riscos inflacionistas. O PMI industrial aumentou para 52,7 pontos em agosto, o máximo desde maio de 2022, beneficiando da recuperação das novas encomendas e das exportações, com a melhoria particularmente evidente na Alemanha. Em sentido contrário, a inflação da Zona Euro acelerou de 2,9% para 3,3%, essencialmente devido à energia, enquanto a inflação subjacente recuou ligeiramente para 2,4%. Esta combinação sugere que o choque energético ainda não se transmitiu de forma generalizada aos restantes preços, mas reforça a possibilidade de o Banco Central Europeu voltar a aumentar as taxas em setembro.


O mercado obrigacionista refletiu diretamente esta mudança de expectativas. Após Jackson Hole, a "yield" do "Treasury" subiu para 4,34% no prazo a dois anos e para cerca de 4,72% no prazo a dez anos, enquanto as maturidades longas permaneceram pressionadas pela inflação, pelos elevados défices públicos e pelo aumento da oferta de dívida. Na Europa, o movimento foi semelhante, com a "yield" alemã a dois anos a atingir, no final do mês, o nível mais elevado desde julho de 2024. Mais do que uma crise de dívida, o mercado parece estar a exigir um prémio superior para assumir risco de duração, num contexto em que as taxas de curto prazo continuam atrativas.

 

No plano geopolítico, o conflito com o Irão manteve-se como o principal fator de risco. A interrupção do comércio através do Estreito de Ormuz continuou a condicionar a oferta energética, e o Brent terminou agosto novamente próximo dos 100 dólares por barril, depois de uma nova escalada entre os Estados Unidos e o Irão. Simultaneamente, as tarifas norte-americanas continuaram a pressionar os custos industriais e a aumentar a incerteza sobre o comércio mundial.

 

A perspetiva de médio prazo permanece moderadamente construtiva para os mercados acionistas, sustentada pelo crescimento económico e pelos lucros empresariais. Contudo, o equilíbrio tornou-se menos confortável. A possibilidade de novas subidas das taxas, as "yields" longas estruturalmente mais elevadas e o petróleo próximo dos 90 dólares aumentam a exigência sobre as avaliações. O cenário central continua a favorecer exposição a ações, mas com maior seletividade e menor margem para surpresas negativas na trajetória da inflação.

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