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07 June 2026
10h02
Source:
Jornal de Negócios
Nuno Melo considera que "defesa europeia não é igualmente eficaz com ou sem EUA"
O ministro da Defesa, Nuno Melo, rejeita a criação de um exército europeu e defende que faz sentido continuar a olhar para a NATO como a principal frente defensiva da Europa, reconhecendo, no entanto, que sem os EUA, a Aliança perde "eficácia".A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), "enquanto organização que é de dissuasão e defesa, tem cumprido muito bem o seu papel", defendeu Melo, numa entrevista ao Jornal de Notícias e à rádio TSF."E tem cumprido muito bem o seu papel também por causa desta opção que é atlantista, juntando um lado e o outro do Atlântico, com os Estados Unidos da América [EUA] na equação", sublinhou o ministro."Uma defesa europeia não é igualmente eficaz com ou sem Estados Unidos", defendeu Melo.O ministro desvalorizou as tensões entre os membros europeus da NATO e a administração dos EUA, liderada pelo Presidente Donald Trump, que já por várias vezes ameaçou abandonar a organização."Eu não confundo a administração de um país com esse país e o seu povo. As administrações são transitórias", sublinhou Melo."Nunca o espaço continental europeu (...) teve tanto tempo permanente de paz, como tempo que medimos desde o final da Segunda Guerra Mundial, também por causa da NATO", disse o ministro, excluindo o conflito na Ucrânia.Já em 12 de maio Nuno Melo se tinha manifestado contra a criação de um exército europeu, frisando que o importante é reforçar o pilar europeu de Defesa na NATO e investir nas Forças Armadas nacionais."Tendencialmente sou contra a ideia de um exército europeu, o que não invalida que no espaço da União Europeia (UE) e no contexto europeu, não devamos articular aquilo que são aspetos fundamentais de uma Defesa comum", afirmou Melo em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros da Defesa da UE, em Bruxelas.O ministro da Defesa referiu que a sua oposição a um exército europeu é uma "posição antiga, de há muitos anos no Parlamento Europeu e não muda no âmbito do Governo"."Eu entendo que nós devemos reforçar aquilo que é o pilar europeu de Defesa da NATO, o que passa por dar melhores condições aos nossos militares, por modernizar e melhorar infraestruturas e equipamentos, por estarmos à altura das missões que nos são pedidas dentro e fora, que é uma coisa diferente de um exército europeu", afirmou.O Governo espanhol tem defendido a criação de um exército europeu, afirmando que isso deve ser feito imediatamente, "não em dez anos", como forma de preservar a sua liberdade num contexto de crescentes tensões com os Estados Unidos.Essa ideia já foi descartada pela Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, que a considerou ilusória, apelando antes a que se reforcem as Forças Armadas dos países europeus.