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26 September 2025 02h30
Source: Expresso

Blackrock lança fundo de bitcoin em Portugal

Expresso

Gestora norte-americana traz maior ETF do mundo desta criptomoeda em ativos sob gestão


A BlackRock, gestora de ativos norte-americana, já estreou o seu ETF de bitcoin, o maior do mundo em valor sob gestão, em Portugal.


"A ambição da BlackRock é dar alternativas aos investidores, tendo em conta que criptoativos em formato de bitcoin e de outras moedas têm despertado o apetite dos investidores. Temos uma prateleira de produtos e depois o cliente escolhe”, começa por explicar André Themudo, diretor da BlackRock em Portugal, numa entrevista ao Expresso. O fundo passou a estar disponível a partir de julho, cabendo agora aos bancos e plataformas digitais incorporarem-no na sua oferta.


Um ETF (Exchange-Traded Fund) é um fundo negociado em Bolsa como se fosse uma ação ou uma obrigação, que, por norma, agrega um conjunto de ativos ou replica o valor de índices bolsistas ou ativos. No caso concreto do ETF do bitcoin, trata-se de uma réplica ao valor real da moeda digital, sem necessidade de o deter diretamente.


O ETF de bitcoin da gestora de ativos, o iShares Bitcoin ETP, é o que tem mais ativos sob gestão em todo o mundo. Lançado em janeiro de 2024 nos EUA, conta neste momento com quase 90 mil milhões de dólares (cerca de €76 mil milhões, ao câmbio atual) investidos, quase quatro vezes mais do que o segundo maior, da Fidelity. Sempre que alguém investe neste fundo não está a comprar diretamente bitcoins, mas fica exposto à variação da criptomoeda. A BlackRock detém cerca de 700 mil bitcoins, equivalentes a 3% de toda a circulação, e já emitiu mais de 50 milhões de "ações”, o que significa que por cada "ação” deste ETF que os investidores compram a empresa adquire 0,0139 bitcoins. Quem faz a custódia das moedas detidas pela gestora é a Coinbase e a Anchorage Digital, empresa fundada pelo português Diogo Mónica.


Em termos fiscais, Portugal taxa as mais-valias de um ETF na mesma dimensão que a maioria dos produtos de investimento, com uma taxa de 28%, a não ser que se opte pelo englobamento. Já se comprar uma fração de um bitcoin (não é preciso comprar um bitcoin inteiro, como nas ações) pode ficar isento caso mantenha a moeda na sua posse por mais de 365 dias.


Este produto estava já registado noutros países da Europa, como nas Bolsas de Paris, Amesterdão e Frankfurt. Em Portugal existem outros ETF de bitcoin no mercado disponíveis em alguns bancos, como no Banco BiG, Banco Carregosa e Bison Bank, e noutras plataformas low-cost de investimento.


Portugal é "um dos países da Europa com mais penetração de criptoativos”, explica Themudo. Um estudo da BlackRock, encomendado à YouGov no ano passado, mostra que 43% dos portugueses investem neste mercado, quase o dobro da média europeia (22%). Outra das tendências registadas prende-se com o crescimento dos jovens no mundo dos investimentos, revelando mais instrução, acrescenta.


Os valores sob gestão da BlackRock em Portugal não são públicos, ao contrário do que acontece em Espanha. Mas André Themudo garante que existe uma correlação entre os dois países em termos de população e valor: gere €48 mil milhões em Espanha e em Portugal "será mais ou menos um quarto deste valor”, ou seja, cerca de €12 mil milhões, detidos por entre 50 e 70 clientes.


"Temos visto um crescimento entre 25% e 30%, ano após ano, desde 2011, e isto significa duplicar de ativos sob gestão a cada três anos, três anos e meio. É um ritmo que temos conseguido manter”, adianta, dizendo que, apesar de ser uma meta que gostava de repetir, "é cada vez mais difícil, porque a base é cada vez maior”. Cerca de 90% dos portugueses investem em ETF e apenas 10% noutro tipo de fundos de investimento.


O diretor da BlackRock Portugal está sediado em Espanha e conta com uma equipa de cinco portugueses (dois para a relação com o cliente e três ligados à parte tecnológica). Apesar de não descartar a hipótese, não está nos planos abrir um escritório em Portugal.


A gestora tem mais de €5 mil milhões investidos em Portugal, onde se incluem os recentes investimentos em parques solares e a sua participação de 6% na EDP, sendo o terceiro maior acionista. A postura da BlackRock não é a de "ativista” na gestão, mas antes com a perspetiva de potencial valorização, adianta.

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