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27 June 2026
15h00
Source:
Jornal de Negócios
As novas contas do INE para sabermos quem somos
O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou esta semana as novas estimativas da população portuguesa. Somos, afinal, mais do que pensávamos: 11,4 milhões, dos quais 14% são de nacionalidade estrangeira. Estes números resultam não só dos dados de 2025 mas também de uma revisão para os anos de 2021 a 2024, com uma nova metodologia. A partir de agora, as estimativas da população deixam de integrar dados de inquérito, como o inquérito ao emprego ou mesmo as grandes operações de recenseamento dos Censos. Os custos destes métodos são um dos motivos. Só os últimos Censos, de 2021, custaram cerca de 50 milhões de euros. Por outro lado, o INE quer tirar partido das diferentes fontes administrativas que já estão disponíveis. Entre essas fontes estão dados dos registos civis, Autoridade Tributária, Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, Ministério da Educação, Instituto de Emprego e Formação Profissional e a Agência para a Integração Migrações e Asilo. Aliás, foi a integração de dados provenientes da AIMA, incluindo pedidos de autorização de residência, renovações ou pedidos de asilo, que levou à forte revisão em alta dos números da população. Além disso, o uso destas fontes administrativas vai permitir ter dados mais atualizados, de forma mais rápida, e com maior detalhe, como a distribuição dos residentes. No prazo de dois anos, todos os países da União Europeia (UE) têm de saber quantos habitantes têm por quilómetro quadrado. No caso português, o INE antecipou essa exigência europeia. Também os próximos Censos, em 2031, vão ter uma base apenas administrativa, ou seja, à partida já não será necessário os cidadãos preencherem o inquérito como acontecia até agora. O INE reconhece que, nesta altura, ainda há algumas limitações nesta nova metodologia. Este ano, por exemplo, ainda não entraram os dados do Ministério da Educação nem do IRS porque ainda não estavam disponíveis. Além disso, há quem não saia das estatísticas e quem não chegue a entrar. No primeiro caso, falamos de imigrantes com o INE a reconhecer que a informação sem recurso a inquérito não permite dar conta das saídas de imigrantes do país ou dos movimentos internos da população. No segundo caso, poderá ficar fora das estatísticas a população sem abrigo por não ter uma morada administrativa. Para resolver estas limitações, o INE diz que este será um "processo de melhoria contínua" e que pretende integrar mais fontes de informação. Os novos dados agora divulgados, com a população revista em alta, vão traduzir-se numa subida dos números do emprego e também numa revisão dos dados de crescimento económico desde 2021 que vão ser mais favoráveis. Já os indicadores como o PIB per capita, que tem em conta a dimensão da população, vão agravar-se. O INE acredita que a nova metodologia vai "permitir melhorar os métodos de captação dos movimentos migratórios, em especial num contexto de rápido crescimento da imigração". E também "aumentar a consistência e a coerência entre as diversas fontes, refletindo-as nas estimativas oficiais da população residente".