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29 September 2026
21h09
Source:
Jornal de Negócios
Bolsonaro e Lula concentram final de campanha nos três estados mais ricos e populosos
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três estados mais ricos e
populosos do Brasil, concentram as agendas dos principais candidatos à
Presidência brasileira, a cinco dias das eleições gerais.Os três estados,
localizados na região Sudeste, concentram, sozinhos, quase 43% do eleitorado
brasileiro, segundo dados da Justiça eleitoral brasileira.As sondagens de intenção
de voto apontam para um cenário incerto numa eventual segunda volta, marcada
para 25 de outubro, com Lula da Silva, que procura a reeleição, e Flávio
Bolsonaro em empate estatístico, levando as duas campanhas a disputar o voto útil
e os eleitores indecisos."O Sudeste é superlativo
em qualquer eleição presidencial. Estamos falando de mais de 63 milhões de
eleitores", afirmou à Lusa o cientista político Alexandre Bandeira,
analista-chefe do Grupo Brasília de Consultoria Política.O Brasil tem 158,7
milhões de eleitores aptos a votar nas eleições gerais de domingo, cerca de 74%
da população brasileira, atualmente estimada em 213,42 milhões de habitantes,
segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.São Paulo tem 34,1
milhões de eleitores, Minas Gerais 16,4 milhões e Rio de Janeiro 12,9
milhões."Qualquer diferença
relevante de desempenho nesses três estados pode representar milhões de votos
na contabilidade total de votos no Brasil", acrescentou Bandeira."O que chama a atenção
nesta reta final é que não existe uma hegemonia clara nesses três grandes
mercados eleitorais entre os principais candidatos", afirmou o analista,
acrescentando que as sondagens colocam Flávio numericamente à frente de Lula em
São Paulo e no Rio de Janeiro."Minas Gerais apresenta
uma disputa muito mais equilibrada. E Minas merece atenção especial porque
historicamente funciona como uma espécie de fiel da balança da eleição
presidencial. Desde 1989, quem venceu a eleição em Minas também venceu a
Presidência da República", afirmou."Numa eleição polarizada,
não há um sentimento de 'efeito manada', onde indecisos despejam em massa os
seus votos em quem vai ganhar", disse, salientando que os candidatos procuram
convencer os indecisos na reta final."Ao privilegiar a região
Sudeste, os dois principais candidatos querem convencer, em escala, a margem de
indecisos que podem numericamente imprimir uma vitória para um ou para outro",
acrescentou."Fazer isso na Região
Sudeste faz mais sentido do que em redutos eleitorais menores, pois o
convencimento dá-se em percentuais que, quando traduzidos numericamente em
votos, possuem maior impacto de mudança nesta reta final", afirmou.Tanto o Partido dos
Trabalhadores (PT), de Lula, quanto o Partido Liberal (PL), de Flávio, também
usam a imagem e a influência dos candidatos para apoiar as candidaturas aos
governos estaduais e ao Senado.Nas eleições gerais deste
ano, os brasileiros irão escolher dois terços dos 81 lugares do Senado,
enquanto a Câmara dos Deputados é composta por 513 deputados.Por terem as maiores
populações, os três estados do Sudeste também elegem o maior número de
deputados federais, com São Paulo a eleger 70, Minas Gerais 53 e Rio de Janeiro
46.Para São Paulo, Flávio
Bolsonaro reservou três dias de campanha, onde o atual governador conta
com o seu apoio e, segundo as sondagens, tem potencial para vencer já na
primeira volta, e assim derrotar o nome apoiado por Lula.Nos demais dias, o filho
mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro estará no seu estado de origem, o
Rio de Janeiro, na quinta-feira, e em Minas Gerais, na sexta-feira.Lula começou a semana em
três capitais do Norte e Nordeste brasileiro, mas, a partir de quarta-feira,
concentrará as agendas no Sudeste, passando por Minas Gerais duas vezes (quarta
e sexta-feira), Rio de Janeiro (quinta-feira) e São Paulo (sábado).No próximo domingo,
Flávio Bolsonaro vota no Rio de Janeiro, mas ainda não definiu onde irá
acompanhar a contagem de votos, podendo ficar em Brasília ou em São Paulo.Já Lula da Silva vota em
São Paulo, seu berço político, e ficará na região para acompanhar o resultado
das eleições.