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10 September 2026 18h50

FMI nega ter afastado Ricardo Reis por críticas à política económica de Trump

O Fundo Monetário Internacional (FMI) negou esta quinta-feira ter afastado o economista português Ricardo Reis da corrida a economista-chefe devido às críticas deste à política económica de Donald Trump, nomeadamente ao impacto das tarifas aduaneiras.Em causa está uma notícia do Financial Times segundo a qual Ricardo Reis, apontado como favorito ao cargo, foi excluído do processo de seleção por ter questionado a validade económica das tarifas aduaneiras impostas pelo Governo norte-americano."Quero ser perfeitamente clara quanto a este ponto: o FMI não exclui um candidato por causa da sua investigação académica, mesmo que essa investigação seja crítica das políticas adotadas por um dos nossos membros", afirmou, em conferência de imprensa, a diretora de comunicação do Fundo, Julie Kozack."Temos de olhar de forma crítica para as políticas adotadas pelos nossos membros", acrescentou.Fontes próximas do processo recordaram à AFP que o próprio FMI alertou que as tarifas aduaneiras impostas nos Estados Unidos poderiam provocar uma subida da inflação e pesar sobre as despesas das famílias, dois aspetos igualmente salientados por Ricardo Reis.A Lusa tentou contactar Ricardo Reis, mas até ao momento não foi possível obter um comentário.O FMI lançou o processo de recrutamento de um novo economista-chefe após o anúncio da saída do francês Pierre-Olivier Gourinchas, que deixou o cargo no final de junho para regressar ao ensino na Universidade de Berkeley.O cargo acabou por ser ocupado pela britânica Silvana Tenreyro, antiga membro do comité de política monetária do Banco de Inglaterra e professora na London School of Economics, tal como Ricardo Reis, que entrou em funções no FMI em 08 de julho.O FMI renovou nos últimos meses vários dos seus principais quadros, na sequência da reforma de vários diretores regionais e da demissão, há cerca de um ano, de uma das diretoras-gerais adjuntas, Gita Gopinath.Gita Gopinath foi substituída pelo secretário adjunto do Tesouro norte-americano Dan Katz, por proposta do Governo dos Estados Unidos.