Voltar
16 junho 2026 12h00

Unit-Linked: O que são, como funcionam e como investir em Portugal

O que são Unit-Linked?
 

Unit-Linked: O que são, como funcionam e como investir em Portugal

 

 


 

Resumo:

 

  •  Os Unit-Linked são seguros de vida de capital variável ligados a fundos de investimento, classificados como Instrumentos de Captação de Aforro Estruturado (ICAE) e regulados pela ASF.

 

  •  Valor da apólice depende, total ou parcialmente, do desempenho de fundos autónomos subjacentes, podendo existir risco de perda de capital.

 

  •  A fiscalidade é diferenciada por prazo:

 

     •  Pessoa Particular - taxa efetiva de IRS pode descer dos 28% padrão para 22,4% (5 a 8 anos) ou 11,2% (mais de 8 anos), desde que cumprida a regra dos 35%.

 

     •  Pessoa Coletiva – taxa efetiva de IRC pode descer dos 25% padrão para 20% (5 a 8 anos) ou 10% (mais de 8 anos), desde que cumprida a regra dos 35%.

 

  •  Permitem flexibilidade de gestão (alocação entre fundos autónomos sem evento tributário durante a vigência do contrato) e instrumentos eficazes de planeamento sucessório.

 

  •  No Banco Carregosa estão disponíveis seis soluções Unit-Linked, organizadas por classe de ativos e por perfil de investimento.

 


 

 

Os Unit-Linked estão a captar o interesse dos investidores em Portugal e há bons motivos para isso. Neste artigo, procuramos explicar de forma clara e estruturada o que são os Unit-Linked, como funcionam e que fatores devem ser considerados antes da sua subscrição.

 

A abordagem segue os princípios de análise e prudência do Banco Carregosa, centrados no investimento informado, no alinhamento com o perfil de risco e no enquadramento de soluções no contexto global do património do investidor. O conteúdo foi preparado em colaboração com Filipe Silva, Diretor de Investimento do Bano Carregosa, com a preocupação de assegurar rigor técnico, consistência e adequação às melhores práticas de comunicação financeira.

 

 

O que são Unit-Linked?

 

Um Unit-Linked é um seguro de vida de capital variável, regulado pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), em que o valor a receber pelo tomador depende, total ou parcialmente, do desempenho de fundos de investimento autónomos. Combina, na mesma apólice, uma componente de seguro do ramo vida com uma componente de investimento em unidades de conta.

 

Estes produtos são qualificados como Instrumentos de Captação de Aforro Estruturado (ICAE) e como produtos financeiros complexos (PRIIP), o que implica:

 

  •  A obrigatoriedade de disponibilização de um Documento de Informação Fundamental (DIF) antes da subscrição.

 

  •  A inexistência, em regra, de garantia de capital ou de rendibilidade mínima, exceto se contratualmente prevista.

 

  •  A obrigatoriedade de avaliação de adequação ao perfil de investidor.

 

A abordagem do Banco Carregosa aos Unit-Linked assenta nos princípios de investimento informado, alinhamento com o perfil de risco do investidor e enquadramento das soluções no contexto global do património. Como Banca Privada com mais de 190 anos de história, distinguida pelo segundo ano consecutivo como Best Pure-Play/Boutique Private Bank Portugal nos Euromoney Private Banking Awards 2026, integramos os Unit-Linked numa abordagem mais ampla de gestão de património.

 

 

 

Glossário essencial

 

Antes de avançar, é útil clarificar os termos técnicos que aparecem ao longo deste guia.

 

TermoSignificado
Tomador do seguroPessoa singular ou coletiva que celebra o contrato com a seguradora e paga os prémios.
SeguradoPessoa sobre cuja vida incide o contrato. Pode ou não coincidir com o tomador.
BeneficiárioPessoa(s) designada(s) para receber o capital em caso de sinistro ou vencimento. Pode ser alterada pelo tomador.
PrémioMontante entregue à seguradora para investimento, podendo ser único, periódico ou de referência.
ApóliceContrato celebrado entre o tomador e a seguradora.
Fundo autónomoCarteira de ativos onde é investido o prémio. Uma apólice pode estar associada a um ou vários fundos autónomos.
Unidades de contaFrações do fundo autónomo. O valor da apólice corresponde ao número de unidades multiplicado pelo seu valor atual.
DIFDocumento de Informação Fundamental, obrigatório para produtos PRIIP. Resume riscos, custos e cenários.

 

Seguro Unit-Linked Banco Carregosa

Pode investir no Banco Carregosa através de Unit-linked, beneficiando de todas as vantagens em conjunto com a experiência do Banco Carregosa. Veja aqui.

 

 

Como funcionam os Unit-Linked?

 

Ao subscrever um Unit-Linked, o capital é convertido em unidades de conta e estas unidades refletem o desempenho dos ativos subjacentes, sendo que o valor da apólice varia ao longo do tempo.

 

A mecânica de um Unit-Linked pode ser descrita em cinco passos:

 

  1.  Subscrição: o tomador celebra o contrato com a seguradora, define o(s) beneficiário(s) e entrega o prémio.

 

  2.  Conversão em unidades de conta: o capital líquido é convertido em unidades de conta do(s) fundo(s) autónomo(s) selecionados.

 

  3.  Valorização ou desvalorização: o valor de cada unidade de conta evolui em função do desempenho dos ativos subjacentes (ações, obrigações, ETFs, fundos de investimento, ativos alternativos, entre outros).

 

  4.  Gestão ativa da apólice: ao longo da vigência, o investidor pode (consoante o contrato) reforçar prémios, redistribuir o capital entre fundos autónomos ou alterar a designação de beneficiários.

 

  5.  Resgate: quando solicitado, poderá ser parcial ou total. Quer em caso se resgate, quer em caso de sinistro, o reembolso será efetuado aos designatários definidos na apólice.

 

 

Os Fundos Autónomos como Carteiras de investimento

 

Os Unit-Linked distinguem-se pela sua flexibilidade de investimento, permitindo que uma única apólice inclua um ou vários Fundos Autónomos, que podem ser comparados a diferentes "carteiras" de investimento, cada uma com estratégias, perfis de risco e objetivos distintos. Dentro da mesma apólice, o investidor pode assim ter acesso a soluções mais conservadoras, equilibradas ou dinâmicas, ajustando a alocação do capital de acordo com o contexto de mercado ou a sua evolução patrimonial.

 

Esta arquitetura permite, na prática:

 

  •  Diversificar dentro do mesmo contrato, sem necessidade de subscrever várias apólices.

 

  •  Ajustar a alocação ao longo do tempo, à medida que o horizonte temporal se aproxima ou que mudam as condições de mercado.

 

  •  Combinar perfis diferentes numa estratégia patrimonial integrada (por exemplo, parte preservação, parte crescimento).

 

 

Switching (ou troca) entre fundos autónomos: Uma vantagem fiscal pouco conhecida

 

Uma das características mais relevantes (e menos divulgadas) dos Unit-Linked é o facto de a redistribuição de capital entre fundos autónomos da mesma apólice não constituir, em regra, um evento tributário. A tributação ocorre apenas no momento do resgate ou vencimento.

 

Na prática, isto significa que um investidor pode, ao longo de muitos anos:

 

  •  Ajustar a alocação entre ações, obrigações ou outras classes.

 

  •  Cristalizar ganhos de um fundo autónomo e realocá-los para outro.

 

  •  Adaptar gradualmente o risco à proximidade do objetivo financeiro.

 

Tudo isto sem pagar imposto a cada movimento, permitindo que o capital continue a beneficiar do efeito de capitalização sobre uma base bruta. Numa carteira de fundos de investimento ou ETFs detida diretamente, cada venda com mais-valia gera tributação imediata, o que pode reduzir o capital disponível para reinvestir.

 

 

Vantagens dos Unit-Linked?

 

 

Eficiência fiscal por prazo de detenção

 

A tributação dos Unit-Linked beneficia de exclusões parciais do rendimento à medida que aumenta o prazo de detenção, conforme o artigo 5.º do Código do IRS. A taxa efetiva é calculada sobre a diferença positiva entre o valor de resgate e a soma dos prémios pagos. Estas taxas são indicativas e dependem do cumprimento de requisitos legais, nomeadamente a regra dos 35% (ver secção Fiscalidade).

 

 

Flexibilidade através de Fundos Autónomos

 

Como descrito na secção anterior, a possibilidade de combinar e ajustar fundos autónomos dentro de uma única apólice oferece uma flexibilidade rara em outros instrumentos de longo prazo. O investidor pode adaptar a estratégia ao seu ciclo de vida sem fragmentar o património em múltiplos contratos.

 

 

Switching sem cristalização de mais-valias

 

A redistribuição interna do capital entre fundos autónomos da mesma apólice não constitui, em regra, um evento tributável. Esta característica permite gerir ativamente a alocação ao longo do tempo, deixando que o capital se valorize sobre uma base bruta até ao momento do resgate.

 

 

Instrumento eficaz de planeamento sucessório

 

Esta é, possivelmente, uma das vantagens mais subvalorizadas dos Unit-Linked e uma das razões pelas quais os Unit-Linked se tornaram um instrumento central no Wealth Management europeu. O regime jurídico dos seguros de vida confere ao Unit-Linked vantagens significativas em planeamento sucessório:

 

  •  Designação livre de beneficiários: O tomador pode designar qualquer pessoa (incluindo terceiros fora do círculo de herdeiros legítimos), respeitando os limites legais.

 

  •  Pagamento direto ao beneficiário: O capital é pago pela seguradora diretamente ao beneficiário, dispensando o processo de habilitação de herdeiros.

 

  •  O capital não integra o inventário: Em regra, os montantes pagos ao beneficiário em virtude do contrato de seguro não integram a massa hereditária para efeitos de inventário (sem prejuízo das regras da legítima e da colação).

 

  •  Imposto do Selo na sucessão: A sujeição dos capitais de Seguros de Vida e de contratos Unit Linked a Imposto do Selo em caso de morte não é consensual na interpretação da legislação aplicável. Em regra, o capital é pago diretamente aos beneficiários designados na apólice, entendendo muitas seguradoras que não há lugar a Imposto do Selo por não integrar a massa hereditária do falecido. Contudo, dada a existência de diferentes interpretações jurídicas e fiscais, recomenda-se a confirmação do enquadramento aplicável junto da seguradora e da Autoridade Tributária e Aduaneira.

 

  •  Privacidade e celeridade: O pagamento ao beneficiário é, em regra, mais célere do que um processo sucessório convencional.

 

 

 

Diversificação e gestão profissional

 

Através dos fundos autónomos, o investidor acede a carteiras diversificadas geridas profissionalmente, com exposição a ações, obrigações, matérias-primas ou a estratégias alternativas. Esta gestão é especialmente valiosa para investidores que não dispõem de tempo, conhecimento ou estrutura para gerir diretamente uma carteira diversificada.

 

 

Possibilidade de resgate antecipado

 

Os Unit-Linked permitem, regra geral, o resgate antecipado, total ou parcial, embora sujeito às condições contratuais, eventuais comissões e impacto fiscal. Esta característica oferece uma liquidez superior à de outros instrumentos de longo prazo, ainda que o resgate antecipado possa anular as vantagens fiscais associadas ao prazo de detenção.

 

 

Quais os riscos dos Unit-Linked?

 

Os Unit-Linked são produtos financeiros complexos. A subscrição deve ser precedida da leitura atenta da documentação pré-contratual e do DIF.

 

RiscoDescriçãoComo mitigar
Risco de mercadoO valor da apólice flutua com os ativos subjacentes. Pode existir perda de capital.Definir horizonte temporal coerente; diversificar entre fundos autónomos; ajustar à proximidade do objetivo.
Risco de liquidezResgates antecipados podem ter custos ou prazos.Verificar políticas de resgate no contrato e DIF; assegurar liquidez complementar fora da apólice.
Risco de complexidadeA estrutura, fiscalidade e contratos podem ser difíceis de interpretar.Solicitar aconselhamento profissional; analisar o DIF; clarificar dúvidas antes da subscrição.
Risco de alterações legislativasA fiscalidade pode ser alterada por via legislativa.Acompanhar evolução normativa; rever periodicamente a estratégia patrimonial.
Risco cambialAplica-se a fundos com ativos denominados em moeda estrangeira.Avaliar a exposição cambial no DIF; ponderar coberturas.

 

 

Os Unit-Linked têm capital garantido?

 

Em regra, não. Os Unit-Linked são produtos de capital variável, em que o risco de investimento é assumido pelo tomador do seguro. O valor a receber depende do desempenho dos ativos subjacentes, podendo existir perda de capital, total ou parcial.

 

Embora possam existir soluções com mecanismos de proteção (dependendo das características específicas do produto), o regime regra é o de risco assumido pelo tomador. Por este motivo, antes da subscrição deve ser analisada com atenção:

 

  •  A política de investimento de cada fundo autónomo.

 

  •  O perfil de risco e o indicador sintético de risco constante do DIF.

 

  •  A existência (ou não) de mecanismos de proteção.

 

  •  As condições de resgate e os encargos aplicáveis.

 

A avaliação da adequação deve ter em conta o perfil de risco, o horizonte temporal e os objetivos financeiros de cada investidor.

 

 

A fiscalidade nos Unit-Linked em Portugal

 

A fiscalidade é frequentemente apontada como uma das principais vantagens dos Unit-Linked, mas o seu enquadramento concreto depende de várias variáveis. Esta secção resume os pontos essenciais.

 

Aviso Legal: O conteúdo desta secção tem natureza informativa e baseia-se na legislação em vigor à data da última atualização. A análise fiscal de cada situação concreta deve ser feita individualmente, com apoio especializado. A legislação fiscal pode ser alterada.

 

 

Como funciona a tributação

 

Os rendimentos dos Unit-Linked são classificados como rendimentos de capitais (categoria E do IRS), nos termos do artigo 5.º do Código do IRS. A tributação ocorre apenas no momento do resgate ou vencimento, e incide sobre a diferença positiva entre:

 

  •  O valor recebido (resgate, adiantamento ou vencimento), e

 

  •  A soma dos prémios pagos.

 

A taxa padrão é de 28% (taxa liberatória ou autónoma, conforme caso).

 

Taxas efetivas por prazo de detenção

 

Prazo de detenção do contratoExclusãoTaxa IRSTaxa IRC
Menos de 5 anos0%28,0%25%
Entre 5 e 8 anos1/5 (20%)22,4%20%
Mais de 8 anos3/5 (60%)11,2%10%

 

 

A regra dos 35%: Condição crítica para beneficiar das taxas reduzidas

 

Para que sejam aplicáveis as taxas reduzidas de 22,4% e 11,2% ou 20% e 10%, deve estar verificada a seguinte condição legal:

 

  •  Pelo menos 35% do total dos prémios deve ter sido pago na primeira metade da vigência do contrato.

 

Esta regra existe para evitar que reforços tardios desvirtuem a natureza de poupança de longo prazo do produto. O cumprimento deve ser planeado desde o início do contrato e validado antes de cada reforço significativo.

 

 

Tributação na sucessão: Imposto do Selo

 

Em caso de morte do segurado, o capital de seguros de vida ou de contratos Unit Linked com beneficiário designado é, em regra, pago diretamente aos beneficiários indicados na apólice. A sua sujeição a Imposto do Selo não é consensual na interpretação e aplicação prática, sendo frequentemente entendido que não há lugar a tributação, por o pagamento resultar de um direito contratual autónomo e não de uma transmissão hereditária. Assim, segundo esse entendimento, mesmo beneficiários que, noutras transmissões gratuitas, poderiam estar sujeitos a Imposto do Selo (como irmãos, sobrinhos ou terceiros), não ficam, em regra, sujeitos a essa tributação neste contexto.

 

Comparativamente, outros ativos financeiros detidos diretamente (como depósitos bancários ou valores mobiliários) integram, em regra, a massa hereditária e seguem o regime geral de Imposto do Selo, podendo implicar uma tributação diferenciada e um processo sucessório mais formalizado.

 

Não existindo uma interpretação única e uniforme sobre esta matéria, recomenda-se a confirmação do enquadramento aplicável junto de um especialista fiscal, da seguradora ou da Autoridade Tributária e Aduaneira.

 

 

Outras considerações fiscais

 

  •  A fiscalidade pode ser alterada por via legislativa (Orçamento de Estado).

 

  •  A situação fiscal pessoal do investidor influencia o tratamento aplicável.

 

  •  Resgates parciais, transferências de ativos e contratos com prémios estrangeiros podem ter implicações específicas.

 

  •  Para não residentes em Portugal, aplicam-se regras próprias, em função da residência fiscal e da entidade seguradora.

 

A análise fiscal deve ser sempre feita de forma individualizada, preferencialmente com apoio especializado.

 

 

Para quem (e para quem não) faz sentido um Unit-Linked?

 

Um Unit-Linked pode fazer sentido para...

 

  •  Investidores com horizonte de médio e longo prazo (idealmente superior a 5 anos, preferencialmente mais de 8).

 

  •  Quem procura eficiência fiscal sobre capital acumulado, particularmente em montantes significativos.

 

  •  Investidores com preocupações sucessórias, que pretendem organizar a transmissão do património com previsibilidade e celeridade.

 

  •  Investidores que valorizam gestão profissional e diversificação, sem o desejo (ou tempo) de gerir uma carteira direta.

 

  •  Quem procura flexibilidade entre classes de ativos sem fragmentar o património em múltiplos contratos.

 

 

Pode não fazer sentido para...

 

  •  Quem precisa de liquidez no curto prazo uma vez que este tipo de produtos está tipicamente orientado para o médio e longo prazo e poderá não ser adequado a horizontes de investimento reduzidos. Além disso, a saída antecipada impede a plena otimização do regime fiscal aplicável, nomeadamente a redução da taxa de tributação a partir do 5.º ano e 1 dia (22,4%) e novamente a partir do 8.º ano e 1 dia (11,2%).

 

  •  Quem privilegia o controlo ativo total sobre cada decisão de investimento, em vez de delegar na gestão profissional.

 

  •  Quem subscreve sem ter perfil de investidor compatível com produtos financeiros complexos.

 

  •  Quem procura capital totalmente garantido, perfil para o qual existem alternativas mais adequadas.

 

 

Custos dos Unit-Linked: O que avaliar

 

Os custos podem afetar significativamente a rendibilidade líquida e devem ser cuidadosamente analisados no DIF. As principais categorias de custos são:

 

Categoria de custoO que éO que olhar
Custos de Entrada / Comissão de SubscriçãoEncargo cobrado na entrada / subscrição ou de reforços (% sobre o prémio)Geralmente não existe, mas convém confirmar. A existir em que escalões? Pode ser negociado? Validar sempre no DIF.
Custos de Saída / Comissão de ResgateEncargos no resgate (total ou parcial)Normalmente não existem, especialmente se mantido pelo período recomendado. A existir, confirmar se existem prazos ou escalonamentos. Validar sempre no DIF.
Comissão de gestão e outros recorrentes (custos administrativos ou operacionais)Encargo anual sobre o valor investidoPrincipal custo do produto. Geralmente cobrada mensalmente. Inclui tipicamente: gestão da apólice, custos administrativos e custos dos fundos subjacentes. Alguns fundos autónomos podem incluir comissões de performance.
Custos de transaçãoCustos associados à compra/venda de ativos dentro dos fundos.Normalmente não visíveis como comissão direta, mas estimados no DIF. Variam consoante a frequência de transações nos fundos.
Custos de switching (transferência entre fundos)Em alguns produtos, mudanças entre fundos autónomos podem ter custoVerificar limites gratuitos e custo de operações adicionais.

 

O DIF apresenta indicadores normalizados de custos, que permitem comparar produtos. Em horizontes longos, diferenças aparentemente pequenas de custos podem traduzir-se em diferenças significativas de capital acumulado.

 

 

Como escolher um Unit-Linked: Checklist em 7 pontos

 

 

1. Definir o perfil de risco

 

Avalie a tolerância ao risco. Os Unit-Linked oferecem desde perfis conservadores a perfis agressivos. Pode começar pelo questionário de perfil de investidor ou pelo artigo "Perfil de Investidor".

 

 

2. Definir o horizonte temporal

 

Como a eficiência fiscal aumenta significativamente após 5 e 8 anos, o horizonte temporal influência diretamente o produto adequado. Quanto mais longo, maior o potencial de benefício fiscal.

 

 

3. Avaliar a política de investimento dos fundos autónomos

 

Analise o DIF e a política de investimento. Quais as classes de ativos? Que estratégias? Que mercados? Que indicador sintético de risco?

 

 

4. Consultar o histórico de desempenho

 

O desempenho passado não garante resultados futuros, mas permite avaliar a consistência da gestão. Verifique o comportamento em diferentes condições de mercado (valorização, desvalorização, estabilidade) e em particular em períodos adversos.

 

 

5. Verificar custos e estrutura de comissões

 

Compare comissões de subscrição, gestão, resgate, custos dos fundos subjacentes e encargo do contrato. Em horizontes longos, os custos têm impacto significativo na rendibilidade.

 

 

6. Verificar a flexibilidade do resgate

 

Analise as condições de resgate antecipado. Existem períodos de carência? Penalizações? Limites?

 

 

7. Procurar aconselhamento especializado

 

Para investidores com património significativo ou objetivos patrimoniais complexos (incluindo transmissão entre gerações), o apoio de um gestor especializado em Wealth Management é frequentemente determinante para construir uma solução adequada.

 

Conheça o seu perfil de investidor

Leia o artigo "Perfil de Investidor" e descubra qual é a sua tipologia: conservador, moderado ou dinâmico.

 

 

Unit-Linked Banco Carregosa: 6 soluções de investimento

 

No Banco Carregosa, os Unit-Linked estão disponíveis através de soluções de investimento fiscalmente eficientes, estruturadas sob a forma de contrato de seguro ligado a fundos de investimento. As soluções destinam-se a investidores com horizonte de médio e longo prazo, que valorizam diversificação, acompanhamento especializado e flexibilidade na gestão da estratégia ao longo do tempo.

 

As soluções organizam-se em dois grandes grupos: por classe de ativos e por perfil de investimento.

 

 

Por classe de ativos

 

SoluçãoPrincipal focoPerfil de investidorInvestimento mínimo
Obrigações GlobalCarteira de investimento direto em obrigações, com objetivo de retorno positivo no médio/longo prazo e redução da exposição ao riscoInvestidores com perfil moderado e alguma tolerância ao risco10.000€
Alpha ValorCombinação de investimento em obrigações (core), ações e várias estratégias alternativas, procurando mitigar o risco através de diversificação significativaInvestidores que procuram diversificação além das classes tradicionais10.000€
Ações GlobalExposição ao mercado acionista global, com seleção de empresas e gestão permanente do riscoInvestidores com perfil agressivo e elevada tolerância ao risco10.000€

 

 

Por perfil de investimento

 

SoluçãoPrincipal focoPerfil de investidorInvestimento mínimo
Adagio PreservaçãoCarteira constituída maioritariamente por fundos e ETF’s de obrigaçõesPreservação do capital, ajustada à inflação10.000€
Andante CapitalizaçãoCarteira constituída maioritariamente por fundos e ETF’s de obrigações, ações e alternativosPreservação do capital como objetivo principal e apreciação como objetivo secundário10.000€
Allegro ValorizaçãoCarteira constituída maioritariamente por fundos e ETF’s de obrigações, ações e alternativosApreciação do capital como objetivo principal e preservação como objetivo secundário10.000€

 

 

Tabela de decisão rápida

 

Se o investidor procura...Pode avaliar...Disclaimer
Maior foco em obrigaçõesObrigações Global ou Adagio PreservaçãoA exposição a obrigações não elimina risco de mercado, taxa de juro ou crédito
Um perfil equilibradoAlpha Valor ou Andante CapitalizaçãoA adequação depende do perfil de investidor, horizonte temporal e objetivos financeiros
Exposição a ações globais combinada com exposição a obrigaçõesAções Global ou Allegro ValorizaçãoPode envolver maior volatilidade e possibilidade de perda de capital
Exposição a ações globaisAções GlobalPode envolver maior volatilidade e possibilidade de perda de capital

 

 

Banco Carregosa, aconselhamento especializado na escolha de Unit-Linked

 

Com origem em 1833, no Porto, o Banco Carregosa, registado no Banco de Portugal (BdP) sob o nº 0235 e na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sob o nº 0169, é uma instituição financeira com mais de 190 anos de história, especializada em Banca Privada e Wealth Management. A nossa abordagem assenta na independência, na proximidade ao Cliente e na construção de relações de longo prazo, com foco na preservação, valorização e transmissão de património entre gerações.

 

O Banco Carregosa foi distinguido, pelo segundo ano consecutivo, como Best Pure-Play/Boutique Private Bank Portugal nos Euromoney Private Banking Awards 2026, reconhecimento atribuído ao posicionamento especializado em banca privada e gestão de patrimónios.

 

No Banco Carregosa, dispomos de soluções Unit-Linked desenhadas para responder a diferentes perfis de investidor, desde abordagens mais conservadoras a estratégias de crescimento global.

 

Consulte o seu gestor de conta

Contacte-nos para perceber como integrar esta solução de eficiência fiscal e sucessória no seu planeamento patrimonial.

 

 


 

 Unit-Linked: Perguntas Frequentes

 

 

Qual é a diferença entre Unit-Linked e seguro de capitalização?

 

Ambos pertencem ao ramo vida e são seguros financeiros. Os seguros de capitalização tendem a oferecer capital garantido e rendibilidade pré-definida ou indexada, sendo mais conservadores. Os Unit-Linked são de capital variável, com valor dependente do desempenho dos fundos autónomos subjacentes, apresentando maior potencial de valorização e maior risco. A escolha depende do perfil de investidor e dos objetivos.

 

 

Quanto se paga de IRS/IRC num Unit-Linked após 8 anos?

 

A taxa efetiva de IRS após 8 anos é de 11,2% e de IRC é de 10%. Esta taxa só é aplicável se for cumprida a regra dos 35%, ou seja, pelo menos 35% do total dos prémios deve ter sido pago na primeira metade da vigência do contrato.

 

 

Posso mudar de fundo dentro de um Unit-Linked sem pagar imposto?

 

Sim. A redistribuição do capital entre fundos autónomos da mesma apólice não constitui, em regra, um evento tributário. O imposto só é devido no momento do resgate ou vencimento da apólice de Seguro. As condições concretas de transferência (limites gratuitos, eventuais custos administrativos) devem ser verificadas no contrato.

 

 

Os Unit-Linked entram na herança?

 

Em regra, o capital pago ao beneficiário em virtude do contrato de seguro não integra a massa hereditária para efeitos de inventário, sem prejuízo do respeito pelas regras da legítima. O pagamento é feito diretamente pela seguradora ao beneficiário designado. No entanto, podem existir entendimentos diferentes, pelo que é sempre aconselhável confirmar a situação junto da seguradora ou da Autoridade Tributária e Aduaneira.

 

 

O que acontece a um Unit-Linked em caso de morte do segurado?

 

A seguradora paga o capital (correspondente ao valor da apólice no momento do sinistro) ao(s) beneficiário(s) designado(s), sem necessidade de processo de habilitação de herdeiros.

 

 

Quais são os principais riscos dos Unit-Linked?

 

Os principais riscos são: risco de mercado (com possibilidade de perda de capital), risco de liquidez, risco de crédito da seguradora, risco de complexidade do produto, risco de alterações legislativas e, em alguns casos, risco cambial. Estes riscos estão descritos no Documento de Informação Fundamental (DIF) de cada solução.

 

 

Para que tipo de investidor os Unit-Linked são indicados?

 

Podem ser adequados a investidores com horizonte de médio e longo prazo (preferencialmente superior a 5 anos), tolerância ao risco compatível com o produto, interesse em soluções diversificadas e fiscalmente eficientes, ou preocupações com planeamento sucessório. A adequação deve ser avaliada caso a caso, em função do perfil de investidor, objetivos, situação financeira e conhecimento sobre produtos financeiros complexos.

 

 

Posso resgatar um Unit-Linked antes do prazo?

 

Sim, é geralmente possível efetuar o resgate antecipado. O resgate antes de 5 ou 8 anos pode anular as vantagens fiscais associadas ao prazo de detenção. As condições concretas devem ser confirmadas na documentação contratual.

 

 

Qual o investimento mínimo num Unit-Linked do Banco Carregosa?

 

O investimento mínimo nas soluções Unit-Linked do Banco Carregosa é, em regra, de 10.000€, aplicável tanto às soluções por classe de ativos como às soluções por perfil de investimento.

 

 

Os Unit-Linked do Banco Carregosa têm capital garantido?

 

Não. As soluções Unit-Linked do Banco Carregosa são produtos de capital variável, em que o risco de investimento é assumido pelo tomador. Algumas soluções, como a Adagio Preservação, têm a preservação de capital como objetivo principal, mas isso não constitui garantia formal de capital.

 

 

Como se compara um Unit-Linked com um PPR?

 

Ambos são produtos de poupança e investimento de longo prazo que beneficiam de vantagens fiscais ao longo do tempo, mas têm diferenças importantes. O PPR é enquadrado pelo artigo 21.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) e pelo Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (CIRS). Permite, em determinadas condições, uma dedução à coleta em IRS no momento da subscrição, que pode ir até 20% do valor investido, com um benefício máximo anual até 400€, dependendo da idade do subscritor. No resgate, pode beneficiar de tributação reduzida, que pode ser de 8% após oito anos, desde que cumpridas as condições legais. Em contrapartida, apresenta regras de mobilização mais restritivas, apenas permitindo resgates livres em situações específicas previstas na lei.

 

O Unit Linked não oferece dedução em IRS à entrada, mas a tributação ocorre apenas no momento do resgate, podendo beneficiar de uma taxa reduzida de 11,2% após oito anos. É mais flexível, permitindo maior liberdade de resgate e maior controlo sobre o investimento, além de ser uma ferramenta frequentemente utilizada em planeamento sucessório.

 

Em resumo, o PPR privilegia o incentivo fiscal e a disciplina de longo prazo, enquanto o Unit Linked privilegia a flexibilidade e a liberdade de gestão do investimento.

 

 

O que é o DIF e por que é importante?

 

O Documento de Informação Fundamental (DIF) é um documento normalizado obrigatório para produtos financeiros complexos (PRIIP), que apresenta de forma padronizada: indicador sintético de risco, cenários de desempenho, custos totais (incluindo o impacto na rendibilidade) e principais características. A sua leitura atenta é essencial antes da subscrição.

 


 

Aviso Legal: Este artigo foi preparado pelo Banco Carregosa com fins meramente informativos e educativos, não constituindo, em circunstância alguma, uma proposta de investimento, recomendação de compra ou aconselhamento financeiro personalizado. Os Unit-Linked são produtos financeiros complexos, sob a forma de contrato de seguro ligado a fundos de investimento. Estão sujeitos a riscos, incluindo risco de mercado, risco de perda de capital e risco de liquidez. Recomendamos que consulte um gestor de conta ou consultor financeiro antes de tomar qualquer decisão de investimento, para garantir que a mesma se adequa ao seu perfil de risco e objetivos financeiros. Antes da subscrição, deve ser consultada a documentação pré-contratual e contratual legalmente exigida, bem como avaliada a adequação da solução ao perfil de investidor, objetivos, horizonte temporal e situação financeira do Cliente.

 

Partilhe este artigo