Go back
16 September 2026
07h28
Source:
Jornal de Negócios
França tem equipa de desminagem perto de Ormuz que pode atuar "assim que as condições o permitam"
O bloqueio do estreito de Ormuz demonstra como uma crise regional pode ter repercussões globais, alertou esta quarta-feira em Pequim um responsável do Ministério francês das Forças Armadas, que defendeu a liberdade de navegação no Médio Oriente e Indo-Pacífico.Sébastien Vallette interveio na primeira sessão plenária do Fórum Xiangshan, principal encontro anual de diplomacia militar organizado pela China, dedicado à ordem internacional e à estabilidade estratégica.O responsável francês afirmou que a ordem internacional atravessa uma "crise sistémica", devido à agressão e à tendência para considerar o direito internacional como "opcional".Neste contexto, apontou o bloqueio do estreito de Ormuz como "um exemplo marcante" das repercussões mundiais de um conflito, salientando que, num mundo globalizado, nenhum país pode considerar-se imune aos efeitos indiretos. O estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de energia, permanece bloqueado pelo Irão desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, enquanto Washington mantém um cerco naval à República Islâmica.Vallette afirmou que a França mantém meios de desminagem nas proximidades do estreito de Ormuz e escoltas preparadas para serem mobilizadas juntamente com os seus parceiros "assim que as condições de segurança o permitam".O representante francês recordou o destacamento do grupo de combate do porta-aviões francês, cujo objetivo, afirmou, foi contribuir para salvaguardar a liberdade de navegação no mar Vermelho, no golfo Pérsico e no mar do Sul da China.Vallette abordou ainda a guerra na Ucrânia, afirmando que a França tem defendido os direitos de Kiev no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral das Nações Unidas e prestado ajuda financeira, militar e humanitária desde a invasão russa.O responsável acrescentou que Paris não hesitará em fornecer garantias de segurança à Ucrânia quando for alcançado um cessar-fogo no conflito, perante o qual Pequim tem mantido uma posição ambígua desde o início, ao mesmo tempo que aprofundou as relações com Moscovo.