Stablecoins: O que são e por que são importantes?

Em maio de 2022, o colapso da stablecoin Terra USD (UST) chocou o mundo cripto. Prometendo paridade com o dólar, perdeu mais de 95% do seu valor em poucos dias, evaporando cerca de 60 mil milhões de dólares em capitalização de mercado.
Esse episódio foi um alerta global: nem todas as stablecoins oferecem a mesma segurança. Compreender o seu funcionamento, as reservas que as sustentam e a regulação aplicável é essencial para quem investe em criptoativos.
Neste artigo, exploramos o que são as stablecoins, as suas vantagens, riscos e estratégias para investir com confiança.
O que são stablecoins?
As stablecoins são criptomoedas concebidas para manter um valor estável, geralmente indexado a moedas fiduciárias, como o dólar ou o euro. Ao contrário de outros criptoativos como Bitcoin ou Ethereum, sujeitos a flutuações de mercado, as stablecoins replicam a estabilidade de ativos tradicionais, funcionando como um refúgio relativamente seguro no universo digital.
As stablecoins, como a Tether e a Circle, têm um papel central no ecossistema digital. São usadas como refúgio de valor, meio de pagamento ou ponte entre moedas fiduciárias e criptoativos, e estão no coração de muitas transações financeiras digitais.
Valorização da Tether – Set 2024 a Jul 2025

Fonte: Coindesk
Há diferentes tipos de stablecoins que variam conforme o mecanismo utilizado para garantir a sua estabilidade. Conhecer os diferentes tipos é essencial para avaliar os riscos e benefícios associados:
• Colateralizadas por Moeda Fiduciária: Cada token é suportado por reservas reais, como dólares ou euros, muitas vezes bilhetes do tesouro norte-americanos, depositadas em contas auditadas, oferecendo maior confiança, embora dependente da qualidade das reservas e do rigor das auditorias, que varia entre emissores como Tether e Circle;
• Colateralizadas em Criptoativos: Utilizam outras criptomoedas como garantia, com mecanismos automáticos para gerir a volatilidade, o que aumenta o risco em comparação com o colateral fiduciário;
• Algorítmicas: Mantêm a paridade através de algoritmos e incentivos de mercado, sem colateral físico, tornando-as mais suscetíveis a instabilidade, como demonstrado pelo colapso de algumas stablecoins.
Vantagens das stablecoins
As stablecoins destacam-se pela estabilidade e funcionalidades que as tornam essenciais nas finanças digitais, oferecendo soluções práticas para investidores:
Estabilidade em mercados voláteis
A principal característica das stablecoins é a paridade com moedas fiduciárias, como o dólar ou o euro, minimizando as flutuações típicas de criptomoedas como a Bitcoin ou Ethereum, o que proporciona maior previsibilidade.
Acesso simplificado ao mercado cripto
As stablecoins funcionam como uma ponte para o universo das criptomoedas, permitindo aos investidores converter moedas fiduciárias em tokens digitais e transacionar outros criptoativos rapidamente, sem reconversões constantes.
Úteis em estratégias de gestão de risco
Em períodos de alta volatilidade, as stablecoins permitem "pausar” investimentos sem abandonar o ecossistema cripto, protegendo ganhos e oferecendo flexibilidade para reposicionar a carteira em momentos oportunos.
Desvantagens e riscos das stablecoins
Apesar da promessa de estabilidade, as stablecoins também apresentam riscos que os investidores devem avaliar cuidadosamente. Conheça quatro desafios associados a estes ativos:
1. Estabilidade limitada
O colapso da Terra USD (UST) evidenciou que nem todas as stablecoins mantêm a paridade prometida. As stablecoins algorítmicas, em particular, são vulneráveis a desvalorizações abruptas em condições de stress de mercado.
2. Falta de transparência e auditoria
Algumas stablecoins, como a Tether (USDT), enfrentam críticas pela opacidade das suas reservas. Sem auditorias regulares e transparentes, é difícil garantir que cada token é plenamente suportado, aumentando o risco de instabilidade.
3. Riscos regulamentares
O crescente escrutínio por parte de governos e reguladores pode levar a mudanças legislativas que afetem a liquidez, o funcionamento ou a legalidade das stablecoins em certos mercados, criando incerteza para investidores.
4. Dependência de plataformas centralizadas
Embora integrem o ecossistema descentralizado das criptomoedas, muitas stablecoins dependem de emissores centralizados, como empresas ou fundações, o que introduz riscos de falência, má gestão ou bloqueio de fundos.
Cuidados a ter ao investir em stablecoins
Investir em stablecoins requer estratégia e prudência para garantir segurança e alinhamento com os seus objetivos financeiros. Conheça alguns passos práticos para investir nestes ativos:
1. Escolher a stablecoin certa
As stablecoins variam conforme o mecanismo de estabilidade: colateralizadas por moedas fiduciárias (como dólares ou euros), por criptoativos ou algorítmicas (mais arriscadas). Avalie o tipo, transparência das reservas e o seu perfil de risco antes de investir.
A tabela seguinte reúne o essencial para fazer uma escolha mais informada:

2. Escolher uma plataforma fiável
Existem duas opções principais: via entidade regulada (mais fácil de usar), ou via carteira descentralizada (para utilizadores mais experientes).
Deve procurar toda a informação necessária para saber com qual das situações se depara, antes de tomar a decisão de investir.
3. Monitorizar, diversificar e proteger
Mesmo sendo mais estáveis, as stablecoins continuam a ser criptoativos. Como tal, é fundamental proteger os seus fundos.
• Não concentre todo o capital numa só stablecoin;
• Verifique regularmente a transparência das reservas;
• Use carteiras seguras com backups;
• Desconfie de promessas de lucros garantidos.
Exposição Indireta
Existem no mercado formas de exposição indireta às criptomoedas, que permitem aos investidores menos experientes nestas temáticas e aos que preferem manter-se em "ambientes mais familiares”, investirem com maior confiança.
Por exemplo, o Banco Carregosa disponibiliza aos seus Clientes a exposição a criptomoedas através de CryptoFx ou de ETFs. Com este instrumento é possível investir neste mercado de criptomoedas, num ambiente bancário e sem ter de procurar instituições que lhe são pouco familiares.
Para recordar
O que são stablecoins e como funcionam?
Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter um valor estável, normalmente atreladas a moedas fiduciárias como o dólar ou o euro. Funcionam através de diferentes mecanismos de estabilização — como colaterais em moeda real, ativos digitais ou algoritmos — e são amplamente usadas para facilitar transações no mercado cripto, proteger contra volatilidade e armazenar valor digitalmente.
Quais os principais tipos de stablecoins disponíveis?
Existem três tipos principais de stablecoins:
- Colateralizadas por moeda fiduciária – apoiadas por reservas em dinheiro (ex: USDT, USDC).
- Colateralizadas por criptoativos – garantidas por outras criptomoedas (ex: DAI).
- Algorítmicas – mantêm a estabilidade via algoritmos e incentivos de mercado (ex: a extinta UST).
Cada tipo apresenta diferentes níveis de risco, transparência e estabilidade.
As stablecoins são realmente seguras?
As stablecoins podem ser seguras, mas não são todas iguais. A segurança depende do tipo de colateral, da transparência das reservas e da regulação da entidade emissora. Stablecoins colateralizadas por moeda fiduciária e auditadas regularmente tendem a ser mais confiáveis. Já as algorítmicas, como a extinta Terra USD (UST), apresentam riscos significativos de perda de valor.
Quais os riscos de investir em stablecoins?
Investir em stablecoins envolve vários riscos, incluindo:
- Perda de paridade com moedas fiduciárias, especialmente em modelos algorítmicos;
- Falta de transparência sobre as reservas que sustentam o token;
- Risco regulatório, com mudanças legais que podem afetar a operação;
- Dependência de entidades centralizadas, sujeitas a falência ou má gestão.
Avaliar cuidadosamente o emissor e o tipo de colateral é essencial.
Como investir em stablecoins com segurança?
Para investir com segurança em stablecoins:
- Escolha stablecoins auditadas, com reservas verificáveis (ex: USDC).
- Diversifique entre diferentes emissores para reduzir o risco.
- Use plataformas confiáveis, preferencialmente reguladas.
- Mantenha boas práticas de segurança digital, como carteiras com backup.
Alternativamente, invista de forma indireta via ETFs cripto ou produtos bancários regulados.
Acompanhamento estratégico com o Banco Carregosa
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