ETFs

Mais de 7.000 ETFs disponíveis. Saúde, tecnologia, matérias-primas, ambiente, índices acionistas… Inúmeras oportunidades de investimento.

Réplica  
de índices

Um Exchange Traded Fund (ETF) é um fundo negociado em bolsa que replica a evolução de um índice.

Alocação

Diversificada

São um instrumento conveniente para os investidores que pretendem construir um portfolio com uma alocação de ativos diversificada.

Cotações a todo

o momento

Transacionáveis em bolsa de forma rápida e simples, permitem acompanhar as cotações de forma permanente.

“Os ETFs combinam a simplicidade da negociação das ações com a possibilidade de diversificação dos fundos de investimento.”

João Queiroz, 

Head of Trading

TOP ETFs comercializados

Contextualização de Mercado

O mês de junho de 2026 ficará na memória dos mercados como um período de contrastes extremos — e a atividade dos clientes de retalho nas plataformas espelhou, com notável fidelidade, essa tensão entre ganância e prudência. O trimestre que agora encerra foi o melhor para o S&P 500 desde 2020, com uma valorização próxima de 14%, e o mais exuberante em cinco anos para o Nasdaq 100, que avançou 25%. Mas o mesmo mês assistiu à perda de mais de 5 triliões de dólares de capitalização nas "Magnificent 7" face aos máximos, ao pior trimestre do ouro desde 2013, à queda da Bitcoin abaixo dos 60 mil dólares e a um iene em mínimos de 40 anos. Neste ambiente de placas tectónicas em movimento, as dez maiores alocações do segmento de retalho contam uma história coerente: a de investidores que não abandonaram o risco, mas que começaram a construir trincheiras.

 

No centro das preferências dos clientes permanecem os grandes blocos de construção patrimonial — o Vanguard S&P 500, o iShares MSCI World e o Vanguard FTSE All-World. Esta tríade, que concentra a exposição core das carteiras, beneficiou em pleno do rally que levou Wall Street a fechar o semestre em máximos, sustentado pela tecnologia e pela narrativa da inteligência artificial. A escolha destes veículos globais e diversificados revela um retalho mais maduro do que o estereótipo sugere: em vez de perseguir individualmente os títulos da moda, a maioria optou por capturar a subida através de instrumentos amplos, mitigando o risco idiossincrático num mercado cuja concentração atinge níveis históricos — recorde-se que a totalidade dos ganhos do S&P 500 desde janeiro se explica por apenas dois setores, inteligência artificial e energia.

 

Esta prudência estrutural não é acidental. Junho trouxe avisos bem notórios: a Citigroup alertou para posicionamento saturado no Nasdaq, a correlação implícita entre ações caiu para mínimos de dois anos — sinal de um índice refém de meia dúzia de megacapitalizações — e o rácio entre capitalização bolsista e PIB americano atingiu 239%, bem acima do pico da bolha “dot-com”. Quem quis permanecer investido, e os fluxos mostram que terá sido com convicção, preferiu fazê-lo com alguma salvaguarda da diversificação.

 

A segunda camada da narrativa é mais subtil e porventura mais reveladora. A presença destacada do Schwab US Dividend Equity e do VanEck Morningstar Developed Markets Dividend Leaders documenta a rotação que atravessou todo o mês: das cotadas de crescimento e ciclo para valor e defensivas. Sessão após sessão, os comentários da sala de mercados registaram o mesmo padrão — realização de mais-valias em semicondutores e data centers, com o capital a refugiar-se em consumo básico, cuidados de saúde e empresas pagadoras de rendimento regular. O Dow Jones e o Russell 2000 chegaram a sobredesempenhar claramente os índices tecnológicos, num alargamento de base que muitos estrategas consideram saudável.

Xtrackers MSCI World Financials insere-se na mesma lógica, mas com um argumento adicional: num mundo em que a FED, agora liderada por Kevin Warsh, adotou um tom marcadamente restritivo — com metade dos membros a admitir subidas de juros ainda este ano e o mercado a descontar cerca de 40 pontos base de aperto — a banca surge como rara beneficiária de taxas elevadas por mais tempo. Na Europa, onde o BCE subiu juros em junho e não exclui novos movimentos, o setor bancário liderou os ganhos semanais do EuroStoxx600. Os clientes, ao privilegiarem este ETF, posicionaram-se do lado certo do ciclo monetário.

 

Nem tudo foi contenção. O Defiance Quantum, em quinto lugar do ranking, testemunha o apetite persistente por temas de fronteira. O investimento em computação quântica atingiu máximos históricos em 2025, com $ 3,9 mil milhões captados, a Quantinuum foi avaliada em $ 10 mil milhões e a própria China elevou o setor a prioridade estratégica nacional, acima da IA e dos semicondutores. Para os investidores que assistiram à correção violenta do complexo de IA — com a Microsoft e a Meta a perderem mais de 30% face aos máximos — o quantum representa a próxima vaga, ainda em fase suficientemente embrionária para não carregar os prémios exigentes que penalizaram os hyperscalers. É uma aposta especulativa, sem dúvida, mas racional na sua lógica de antecipação.

 

No pódio da lista — e a sua cauda — reserva, porém, a leitura mais fascinante. O primeiro lugar do iShares Gold Producers, num mês em que o ouro registou o pior desempenho trimestral desde 2013, com uma queda de 13% e um “drawdown” próximo de -27% face aos máximos, só pode ser interpretado de duas formas complementares. Por um lado, compra “contrarian” clássica: com o metal a validar suporte na zona dos $ 4000 após capitulação evidente, e com o Bank of America a sublinhar que as mineiras refletem um preço implícito quase 19% abaixo do spot, o value investor encontra aqui uma assimetria rara. Por outro, proteção estrutural: os bancos centrais continuam compradores recorde, e num mundo de défices americanos de 6% do PIB e inflação PCE a 4,1%, o seguro contra a desvalorização monetária mantém procura, mesmo — ou sobretudo — quando está em saldo.

 

Raciocínio análogo sustenta a nona posição do iShares 20+ Year Treasury. Com a yield a 10 anos em 4,5% e a 30 anos a roçar os 5%, as obrigações longas oferecem o maior rendimento relativo face ao “earnings yield” do S&P 500 desde 2003. Os clientes que acumulam “duration” (PE’s elevados), apostam que o aperto da FED, ao arrefecer a economia, acabará por premiar generosamente quem fixou estas taxas — uma convicção reforçada pelo alerta do FMI de que o endividamento associado à IA constitui hoje o maior risco para a estabilidade financeira, cenário em que a dívida soberana funcionaria como refúgio.

 

Finalmente, o ProShares Bitcoin Strategy fecha a lista num momento em que o mercado cripto perdeu 54% do valor em oito meses e a entrada em vigor plena do regime MiCA poderá ter deixado 90% dos operadores europeus sem licença. A presença deste ETF no top 10 — mesmo em décimo — mostra que uma franja do retalho continua a comprar as quedas, tratando os $ 58-60 mil como zona de acumulação de longo prazo, ainda que os mercados de previsão (exemplo: polymarket / kalshi) admitam um recuo até aos $ 48 mil.

 

Perspetiva para as próximas semanas — O curto prazo será orientado, essencialmente, por três variáveis. Primeiro, o mercado laboral americano: os dados de emprego desta semana, antecipados pelo feriado de 4 de julho, parecem cimentar ou desarmar a expectativa de subida de juros pela FED, com o mercado a atribuir baixa probabilidade a um movimento já em julho. Segundo, a época de resultados do segundo trimestre, que testará se os lucros — a crescer 25% no S&P 500 — continuam a justificar múltiplos de 20-24 vezes; qualquer deceção nos hyperscalers, já pressionados pela inflação de custos nas memórias e pelos $ 1,8 triliões de compromissos fora de balanço, reativará a rotação defensiva. Terceiro, a geopolítica e o câmbio: um iene em mínimos de 40 anos com risco de intervenção, a fragilidade do cessar-fogo no Golfo e o braço-de-ferro orçamental europeu mantêm o potencial de episódios súbitos de aversão ao risco.

 

Neste enquadramento, a configuração atual das carteiras de retalho parece bem desenhada: exposição core mantida, mas diversificada, rendimento como amortecedor, e ouro, Treasuries longas e liquidez como reservas estratégicas para capitalizar a volatilidade estival que, historicamente, julho raramente perdoa. A disciplina — mais do que a previsão — será o ativo mais valioso das próximas semanas.

Informação Legal

 

A informação aqui contida identifica os ETFs mais comprados no período de referência por clientes do Banco Carregosa, não considerando qualquer elemento pessoal de um específico potencial investidor, não tendo sido considerados quaisquer elementos que permitam aferir sobre a adequação de qualquer investimento ou desinvestimento a uma pessoa em concreto e não constituindo uma recomendação de investimento. O potencial investidor é responsável pela suas decisões de investimento, devendo considerar, de modo cuidado, os seus objetivos de investimento, situação financeira, tolerância e capacidade de suportar o risco do investimento nos instrumentos financeiros em causa. A tomada de qualquer decisão de investimento cabe a cada potencial investidor, devendo obter os esclarecimentos e aconselhamentos profissionais sobre as características e os riscos dos serviços e instrumentos financeiros em causa, adequados ao seu nível de conhecimento e experiência, em particular, de variação de preço e de eventual perda de capital. Quaisquer ordens de subscrição ou resgate são da exclusiva responsabilidade do potencial investidor, devendo qualquer decisão de investimento ser precedida da tomada de conhecimento e aceitação dos termos e condições integrantes dos documentos constitutivos de cada Fundo de Investimento que se encontram disponíveis para consulta aqui, aí incluídos o "Prospeto” e as "Informações Fundamentais aos Investidores” (IFI).As Sociedades Gestoras podem partilhar com o Banco Carregosa, na qualidade de distribuidor, uma parte das Comissões de Gestão e/ou Distribuição cobradas pelo fundo, bem como oferecer outros benefícios não monetários. Entendem-se por benefícios não monetários o acesso a documentos de pesquisa e de recomendação de investimento e o acesso a colaboradores do Banco Carregosa a conferências e formações organizadas pela Sociedades Gestoras. Em todo o caso, o recebimento destas comissões não põe em causa a independência do Banco Carregosa.

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