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15 setembro 2026 11h35

Fundos Soberanos: O que são e como funcionam?

Fundos Soberanos: O que são e como funcionam?

Fundos Soberanos: O que são e como funcionam?

 

 


 

Resumo:

 

  •  Os fundos soberanos são veículos de investimento detidos e geridos por Estados, criados para aplicar excedentes financeiros nacionais (como receitas de recursos naturais, excedentes orçamentais ou reservas cambiais) com objetivos económicos e estratégicos de longo prazo.

 

  •  Estes fundos investem em diferentes classes de ativos, desde ações e obrigações até infraestruturas, imobiliário e capital privado.

 

  •  No Banco Carregosa, encontra apoio para compreender o funcionamento dos fundos soberanos e o seu impacto nos mercados globais.

 


 

 

Os fundos soberanos são responsáveis por algumas das maiores participações empresariais do mundo, por investimentos em infraestruturas estratégicas e por operações financeiras que movimentam milhares de milhões de euros.

 

Mas o que são exatamente estes fundos? Como funcionam? De onde vem o dinheiro que gerem? E por que motivo os investidores, analistas e decisores políticos acompanham os seus movimentos com tanta atenção?

 

Descubra como funcionam os fundos soberanos, que tipos existem e qual o seu impacto na economia mundial.

 

"Os fundos soberanos são o exemplo mais puro de investimento com horizonte de gerações. Não replicamos as suas carteiras, mas há uma lição a retirar: a disciplina de investir com um prazo mais longo do que o do próximo ciclo de mercado.” — Paulo Monteiro Rosa, Economista Sénior do Banco Carregosa.

 

 

O que são fundos soberanos?

 

Os fundos soberanos são veículos de investimento detidos e geridos por Estados, criados para aplicar excedentes financeiros nacionais com objetivos económicos e estratégicos de longo prazo. Estes recursos podem resultar, por exemplo, de receitas provenientes da exploração de recursos naturais, de excedentes orçamentais, de reservas cambiais ou de superavits comerciais.

 

Ao contrário dos bancos centrais, cuja principal função passa pela condução da política monetária e pela estabilidade financeira, os fundos soberanos têm como missão gerar retorno sobre o capital investido, preservar riqueza para futuras gerações ou apoiar objetivos económicos específicos.

 

Atualmente, existem mais de uma centena de fundos soberanos em todo o mundo. Entre os exemplos mais conhecidos encontram-se o Government Pension Fund Global da Noruega, o Abu Dhabi Investment Authority dos Emirados Árabes Unidos, o China Investment Corporation e o GIC de Singapura.

 

FundoPaísAtivos sob gestãoOrigem dos recursos
Government Pension Fund GlobalNoruega2 452 mil milhões USD 1Receitas de petróleo e gás
China Investment CorporationChina1 567 mil milhões USD 2Reservas cambiais
Abu Dhabi Investment AuthorityEmirados Árabes Unidos1 187 mil milhões USD 3Receitas de petróleo
Public Investment FundArábia Saudita906 mil milhões USD 4Receitas de petróleo
GICSingapura1 161 mil milhões USD 5Reservas cambiais

 

Fontes: Os valores não são todos apurados à mesma data nem pela mesma metodologia, ver cada nota. Onde o fundo não divulga o valor sob gestão, utilizam-se estimativas da Global SWF.

 

1Norges Bank Investment Management: divisão do Norges Bank que gere o Government Pension Fund Global. O NBIM reporta o valor em coroas norueguesas: 22 683 mil milhões de NOK a 30 de junho de 2026. Como o fundo está investido quase exclusivamente fora da Noruega, o valor em coroas é ele próprio resultado de conversão cambial. Convertido à taxa de 1 USD = 9,25 NOK (8 de setembro de 2026).

 

2China Investment Corporation, Relatório Anual 2024: publicado em dezembro de 2025. A CIC reporta diretamente em dólares norte-americanos: 1,57 biliões de USD de ativos totais (1,37 biliões de ativos líquidos) a 31 de dezembro de 2024.

 

3Global SWF: A ADIA não divulga publicamente o valor dos seus ativos sob gestão. A Global SWF estima-os em 1 187 mil milhões de USD (ranking atualizado em agosto de 2026; dados consultados em 8 de setembro de 2026).

 

4Public Investment Fund, Relatório Anual 2025: O fundo reporta 3 396 mil milhões de riais sauditas de ativos sob gestão no final de 2025, uma redução face a 2024. À taxa fixa de 1 USD = 3,75 SAR, corresponde a cerca de 906 mil milhões de USD.

 

5Global SWF: O GIC não divulga publicamente o valor dos ativos sob gestão. A Global SWF estima-os em 1 161 mil milhões de USD, após a publicação do relatório do GIC relativo ao exercício terminado em 31 de março de 2026 (dados consultados em 8 de setembro de 2026).

 

 

Tipos de fundos soberanos

 

Embora sejam frequentemente agrupados sob a mesma designação, os fundos soberanos podem assumir diferentes funções e objetivos. A sua estrutura depende da origem dos recursos financeiros, das prioridades do Estado que os cria e da estratégia definida para a sua utilização ao longo do tempo.

 

 

Fundos de estabilização

 

Os fundos de estabilização procuram reduzir o impacto da volatilidade económica, sobretudo em países fortemente dependentes de matérias-primas como petróleo, gás natural ou minerais.

 

Durante períodos de preços elevados, parte das receitas é canalizada para o fundo. Quando ocorre uma quebra significativa dessas receitas, os recursos acumulados podem ser utilizados para compensar desequilíbrios orçamentais e estabilizar a economia.

 

 

Fundos de poupança intergeracional

 

Também conhecidos como fundos de riqueza futura, têm como objetivo preservar recursos para as gerações seguintes. São particularmente comuns em países que beneficiam de receitas significativas provenientes de recursos naturais não renováveis.

 

Em vez de consumir integralmente essa riqueza no presente, uma parte é investida para garantir benefícios económicos de longo prazo. O fundo soberano da Noruega é frequentemente apontado como um dos exemplos mais emblemáticos desta abordagem.

 

 

Fundos de desenvolvimento económico

 

Estes fundos são utilizados para apoiar setores considerados estratégicos para o crescimento económico nacional.

 

Os investimentos podem ser direcionados para infraestruturas, inovação, tecnologia, transição energética ou outras áreas que contribuam para aumentar a competitividade e a diversificação económica do país.

 

 

Fundos de reserva para pensões

 

Alguns governos criam fundos soberanos especificamente para apoiar sistemas públicos de pensões e responder aos desafios demográficos associados ao envelhecimento da população.

 

Nestes casos, os retornos gerados pelos investimentos ajudam a reforçar a sustentabilidade financeira de longo prazo dos sistemas de proteção social.

 

 

Fundos de gestão de reservas cambiais

 

Em determinados países, parte das reservas internacionais é transferida para fundos soberanos com o objetivo de obter retornos superiores aos tradicionalmente associados aos ativos de reserva.

 

Esta estratégia permite diversificar investimentos e potencialmente aumentar a rentabilidade dos recursos públicos.

 

 

Como funcionam os fundos soberanos?

 

Os fundos soberanos seguem um modelo de gestão profissional semelhante ao de grandes investidores institucionais, mas com objetivos definidos pelos Estados que os detêm.

 

Embora a sua estrutura varie de país para país, a maioria destes fundos adota uma perspetiva de investimento de longo prazo, beneficiando da capacidade de suportar períodos de volatilidade sem necessidade de liquidez imediata.

 

De forma geral, o funcionamento de um fundo soberano segue estas etapas:

 

  1.  O Estado canaliza recursos financeiros para o fundo soberano;

 

  2.  É definida uma política de investimento alinhada com os objetivos estratégicos do país;

 

  3.  Equipas especializadas ou gestores externos selecionam os ativos a integrar na carteira;

 

  4.  O património é monitorizado e ajustado ao longo do tempo;

 

  5.  Os rendimentos gerados são reinvestidos ou utilizados de acordo com a finalidade do fundo.

 

A forma como estes recursos são geridos depende dos objetivos específicos de cada fundo, que podem passar pela preservação de riqueza para futuras gerações, estabilização da economia, financiamento de sistemas de pensões ou promoção do desenvolvimento económico.

 

 

Governação e transparência: Os Princípios de Santiago

 

Pela sua dimensão e pelo facto de serem detidos por Estados, os fundos soberanos levantam questões de governação, transparência e independência face ao poder político.

 

Para responder a estas preocupações, foi criado em 2008 um conjunto de 24 orientações internacionais, conhecidas como Princípios de Santiago, que estabelecem boas práticas em matéria de enquadramento legal, objetivos de investimento, estrutura institucional e divulgação de informação. A adesão é voluntária e é acompanhada no âmbito do IFSWF (International Forum of Sovereign Wealth Funds).

 

O grau de transparência varia significativamente entre fundos: alguns publicam relatórios detalhados sobre as suas carteiras, enquanto outros divulgam pouca informação sobre a composição dos seus investimentos. Esta diferença é um dos fatores que os analistas consideram ao avaliar o impacto destes investidores nos mercados.

 

 

Onde investem os fundos soberanos?

 

A estratégia de investimento dos fundos soberanos evoluiu nas últimas décadas, acompanhando as transformações dos mercados financeiros globais.

 

Embora continuem a investir em ativos tradicionais, muitos destes fundos procuram atualmente diversificação geográfica, setorial e por classe de ativos, combinando diferentes fontes de retorno e níveis de risco.

 

Entre os investimentos mais frequentes encontram-se:

 

  •  Ações cotadas;

 

  •  Obrigações governamentais e empresariais;

 

  •  Imobiliário;

 

  •  Infraestruturas;

 

  •  Capital privado (private equity);

 

  •  Capital de risco (venture capital);

 

  •  Energias renováveis;

 

  •  Projetos tecnológicos e de inovação.

 

Nos últimos anos, tem-se observado um interesse crescente por ativos alternativos e investimentos sustentáveis, refletindo uma visão de longo prazo sobre tendências económicas estruturais.

 

A dimensão destes investidores permite-lhes ainda participar diretamente em operações que normalmente estão fora do alcance dos investidores individuais, incluindo aquisições empresariais, grandes projetos de infraestruturas e investimentos em empresas não cotadas. Desta forma, os fundos soberanos assumem um papel cada vez mais relevante no financiamento da economia global e na transformação de setores estratégicos.

 

 

É possível investir num fundo soberano?

 

Os fundos soberanos pertencem a Estados e não são comercializados em bolsas ou abertos ao público, pelo que não é possível adquirir participações diretamente. Ainda assim, os investidores particulares podem aproximar-se de estratégias e tendências associadas aos fundos soberanos através das abordagens seguintes.

 

Antes de avançar, importa uma ressalva: os fundos soberanos operam em condições muito diferentes das de um investidor particular. Têm um horizonte praticamente ilimitado, não estão sujeitos a necessidades de liquidez imediatas, dispõem de escala para acederem a ativos não cotados, são suportados por um Estado e podem perseguir objetivos não meramente financeiros. Por isso, replicar a sua alocação não é, em si, uma estratégia adequada a um particular: o que faz sentido é compreender as tendências que seguem e avaliar, com apoio profissional, se e como se enquadram no seu perfil de risco e horizonte temporal.

 

 

1. Investimento nas empresas detidas por fundos soberanos

 

Muitos fundos soberanos possuem participações relevantes em empresas cotadas de diferentes setores e geografias. Ao investir nestas empresas, os investidores podem obter exposição indireta a ativos que também fazem parte das carteiras destes grandes investidores institucionais.

 

 

2. Exposição através de ETFs e fundos de investimento globais

 

Muitos dos ativos presentes nas carteiras dos fundos soberanos encontram-se igualmente em ETFs e fundos de investimento internacionais. Estes instrumentos permitem aceder a uma carteira diversificada de ações e obrigações, permitindo aceder a algumas das mesmas classes de ativos, setores e temas estruturais em que estes investidores estão presentes, ainda que numa escala e num enquadramento diferentes.

 

 

3. Investimento em setores estratégicos privilegiados pelos fundos soberanos

 

Infraestruturas, transição energética, tecnologia, inteligência artificial e mercados emergentes são algumas das áreas que têm atraído capital de diversos fundos soberanos. Os investidores particulares podem obter exposição a estas tendências através de instrumentos financeiros especializados e ajustados ao seu perfil de risco.

 

 

Banco Carregosa, ao seu lado para investimentos estratégicos

 

Compreender o funcionamento dos fundos soberanos ajuda a enquadrar a forma como os grandes investidores institucionais participam nos mercados financeiros. Embora os investidores particulares não possam investir diretamente em fundos soberanos, conhecer as suas estratégias contribui para uma leitura mais abrangente das tendências de investimento globais.

 

Com origem numa casa de câmbios fundada em 1833, no Porto, o Banco Carregosa é a instituição financeira mais antiga em atividade da Península Ibérica e opera como Banco dedicado à Banca Privada e à Gestão de Património. Está sujeito à supervisão do Banco de Portugal (registo n.º 0235) e da CMVM (registo n.º 0169).

 

No Banco Carregosa, disponibilizamos acesso aos mercados financeiros internacionais, análise especializada e acompanhamento profissional para apoiar decisões de investimento mais informadas. Contacte-nos e descubra como construir uma estratégia alinhada com os seus objetivos.

 


 

Fundos soberanos: Perguntas frequentes

 

De seguida, damos resposta a algumas das dúvidas mais comuns sobre fundos soberanos.

 

 

Qual é o maior fundo soberano do mundo?

 

O Government Pension Fund Global da Noruega é geralmente considerado o maior fundo soberano do mundo em ativos sob gestão.

 

 

De onde vem o dinheiro dos fundos soberanos?

 

Os recursos podem ter origem em receitas provenientes de petróleo, gás natural, minerais, excedentes orçamentais, reservas cambiais ou superavits comerciais.

 

 

Os fundos soberanos investem apenas em ações?

 

Não. Os fundos soberanos investem em diversas classes de ativos, incluindo obrigações, imobiliário, infraestruturas, capital privado e outros investimentos alternativos.

 

 

Portugal tem um fundo soberano?

 

Ainda não. A 21 de junho de 2026, o primeiro-ministro anunciou a intenção de criar um Fundo Soberano de Portugal que, segundo o noticiado, deverá ser gerido no quadro do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), destinado a consolidar as participações do Estado e a adquirir posições minoritárias em setores considerados estratégicos, como a energia, a banca, as comunicações e as infraestruturas aeroportuárias. À data de publicação, o fundo foi anunciado, mas não se encontra constituído; a primeira operação enquadrada neste objetivo, a compra de 13,7% da REN em agosto de 2026, foi feita pela Parpública.

 

Nota: Informação verificada em 8 de setembro de 2026. Por se tratar de matéria em evolução, recomendamos a consulta de fontes oficiais atualizadas.

 

 

Qual a diferença entre um fundo soberano e um banco central?

 

Um banco central tem como funções principais a condução da política monetária e a estabilidade financeira. Um fundo soberano tem como missão gerar retorno sobre o capital investido, preservar riqueza para futuras gerações ou apoiar objetivos económicos definidos pelo Estado.

 

 

Os fundos soberanos são transparentes?

 

Depende do fundo. Existem orientações internacionais voluntárias, os Princípios de Santiago, que estabelecem boas práticas de governação e divulgação de informação, mas o grau de transparência varia consideravelmente: alguns publicam relatórios detalhados das suas carteiras, outros divulgam pouca informação.

 


 

Aviso Legal: Este artigo foi preparado pelo Banco Carregosa com fins meramente informativos e educativos, não constituindo, em circunstância alguma, uma proposta de investimento, recomendação de compra ou aconselhamento financeiro personalizado. O investimento em instrumentos financeiros envolve riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. A rentabilidade histórica não é garantia de rentabilidade futura. Recomendamos que consulte um gestor de conta ou consultor financeiro antes de tomar qualquer decisão de investimento, para avaliar se a mesma é adequada ao seu perfil de risco e objetivos financeiros.

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